RELACIONANDO A TEMÁTICA DO FILME COM O AVANÇO TECNOLÓGICO COMO INFLUÊNCIA NA EDUCAÇÃO.

O filme conta a história de Jack Conrad (Steve Austin), um prisioneiro no corredor da morte em uma prisão corrupta da América Central, que assim como outros nove prisioneiros de países distintos, que também estão no corredor da morte, são comprados por um produtor de TV, que decide realizar um reality show ilegal em uma ilha deserta, onde todos os “participantes” terão que lutar até a morte, sendo que o último sobrevivente será o grande vencedor. O programa será exibido ao vivo via internet durante as suas 30 horas para todo o mundo. Para os presos, a realidade que eles tinham eram a de presos condenados à morte. E com o convite de participar do programa, eles automaticamente têm sua realidade mudada. Isto porque o produtor de TV, para ter a sua idéia virtual transformada em realidade, necessita que os antigos presos se enfrentem em uma luta onde quase todos os participantes morrerão.
Assim como a realidade dos condenados e do produtor se altera, a realidade do cyberespectador em casa também muda. Para ele que acessa de sua casa o conteúdo do programa, este pode ser considerado virtual, pois ele tem a sensação de não participação no processo que está ocorrendo. A forma como as seleções são criadas no espaço da internet também é alterado.
O produtor busca atores de diversos países, para que cada continente pudesse ter para quem torcer, altera o perfil real de cada participante, isto para dar uma maior caracterização com o que se quer apresentar no programa. O programa se inicia com o produtor querendo chegar à marca de 40 milhões de acessos únicos no site, os participantes lutando pela liberdade e os cyberespectadores desejando simples e pura diversão. Só que o produtor se esquece de um conceito simples e básico: Tudo o que é sólido se desmancha no ar. Durante o filme todas as relações de realidade e virtualidade se alteram até que os conceitos e os participantes se vêem em uma situação onde que o que é real e o que é virtual se alteram completamente.
O filme “Os Condenados” tem como idéia central, enfatizar a tecnologia como atribuições favoráveis e desfavoráveis a sociedade. Durante a exibição do filme, é perceptível por parte do produtor do reality show, que a luta travada entre os prisioneiros, não se trata somente de diversão virtual, pois ele, por ser dono da tecnologia e ter domínio, tem a liberdade de interferir no destino do programa da forma que desejar. O que permite refletir quanto ao poderio tecnológico, que pode influenciar o comportamento das pessoas e principalmente a educação, já que ao mesmo tempo em que ela pode ser educativa e levar conhecimentos a várias pessoas pode também influenciar de forma não condizente com o esperado.
Ressalta-se assim que a tecnologia é um elemento facilitador da aprendizagem, por oferecer uma amplitude de recursos com exigência de amigabilidade, desempenho, integridade e segurança. Mas como visto anteriormente pode trazer contribuições negativas em mãos erradas. Um exemplo a ser demonstrado quanto às contribuições da tecnologia está a Internet, que pode propiciar facilidades na preparação do material a ser utilizado pelo professor, ampliando as formas de pesquisa, de lecionar, modificando o processo de avaliação e de comunicação com o aluno e entre colegas enriquecendo sensivelmente o processo de ensino-aprendizagem.
Dessa forma, percebe-se que o filme, faz uma excelente crítica às relações entre o que é real e virtual e seus malefícios, sem perder o ar de grande produção cinematográfica. E isso é mostrado de uma forma sensacional no longa.
ALVES. Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. Campinas SP. Papirus, 2000.

Rubem Alves, nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais. Bacharel (Seminário Presbiteriano de Campinas/SP - 1957) e mestre em Teologia (Union Theological Seminary/NY - 1964), doutor em Filosofia (Princeton Theological Seminary/EUA - 1964), psicanalista, membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, além de professor convidado em várias universidades do mundo. Após a aposentadoria, dedicou-se também à cozinha e a cursos sobre cinema, pintura e literatura em seu próprio restaurante na cidade de Campinas. É um dos maiores educadores da história do país. Poeta e escritor, ele mesmo é tema de diversas Teses, Dissertações e monografias. Suas publicações são oriundas por mais de 50 títulos, destinados a adultos e crianças, com traduções para várias línguas, como o inglês, italiano, espanhol, francês, alemão e até romeno. Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Tornou-se autor de inúmeros livros, além de colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos. Suas principais obras são: Sobre o tempo e a eterna idade, Conversas com quem gosta de ensinar e Estórias de quem gosta de ensinar.
Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o fato de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza.

Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão a seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um ótimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP. O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.
O livro intitulado “Conversas para quem gosta de ensinar” do autor Rubem Alves contextualiza de forma lucidativa a profissão professor, abordando questões referentes à crise do sistema educacional. O autor coloca de forma parafraseada como o educador pode transformar-se diante dos obstáculos encontrados.
Com uma linguagem acessível ao leitor o autor aborda a relevância de o professor descobrir sua vocação, permitir se encontrar em seu interior para então medir sua desenvoltura profissional frente a uma profissão com articulações duvidosas e repletas de lacunas por parte do Governo que o gerencia.
Alves, ilustra as observações tecidas sobre a importância do professor em sua obra onde elucida:”...necessitamos de um ato mágico de exorcismo. Nas histórias de fada é um ato de amor que acorda a Bela Adormecida de seu sono letárgico, ou o príncipe transformado em sapo. A questão não é gerenciar o educador. É necessário acordá-lo. E, para acordá-lo, uma experiência de amor é necessária”.
Ressalta-se assim que a auto-estima e eficácia do educador estão interligadas, pois emite ao espírito uma mensagem de confiança em nível muito profundo. Trata-se da confiança absoluta nos processos pelos quais o indivíduo raciocina, compreende, aprende, colhe, decide e orienta as suas ações. Dois elementos muito importantes impulsionam o indivíduo para enfrentar os desafios que se apresentam no decorrer da vida e ser merecedor da felicidade: a sensação de eficiência que é a auto-eficácia e o respeito de si mesmo, que é o auto-respeito. Na auto-eficiência, o consciente intelectual tem a certeza da capacidade de pensar e de aprender, desde que esta capacidade seja reconhecida. No auto-respeito, a inteligência emocional percebe que o êxito, o sucesso, a realização e a felicidade fazem parte de cada pessoa. A importância dessa autoconfiança para a sobrevivência é óbvia tanto quanto o perigo quando falta essa confiança.
Nesse contexto o autor coloca que a auto-estima facilita e conduz o caminho para a auto-realização. Se os alunos têm a sua frente um problema difícil que lhes impõe um certo grau de confiança, há chance de perseverarem obtendo mais êxitos que fracassos. Mas, se ao enfrentarem um problema, houver o domínio de uma sensação de insegurança a respeito de sua capacidade mental, é provável que desistam ou relaxem chegando ao fracasso, porque dando menos de si, há possibilidades de fracassarem.
Alves explana que não se trata de formar o educador, como se ele não existisse. Como se houvesse escolas capazes de gerá-lo, ou programas que pudessem trazê-lo à luz. Eucaliptos não se transformarão em jequitibás, a menos que em cada eucalipto haja um jequitibá adormecido. O que está em jogo não é lima técnica, um currículo, uma graduação ou pós-graduação. Nenhuma instituição gera aqueles que tocarão as trombetas para que seus muros caiam.
Aborda ainda que o acordar mágico do educador tem então de passar por um ato de regeneração do discurso pedagógico, o que sem dúvida exige fé e coragem: coragem para dizer em aberto os sonhos que os fazem tremer. A formação do educador? Antes de qualquer coisa: é necessário reaprender a falar. Isto é de crucial importância para o educador, e desta crença depende o seu sono e o seu acordar. Porque, com que instrumentos trabalham o educador? Com a palavra. O educador fala. Mesmo quando o seu trabalho inclui as mãos, como o mestre que ensina o aprendiz a moldar a argila, ou o cientista que ensina o estudante a manejar o microscópio, todos os seus gestos são acompanhados de palavras. São as palavras que orientam as mãos e os olhos.
Com base nas elucidações abordadas, na leitura advinda do texto: Conversas com quem gosta de ensinar” de Rubem Alves, chega-se a conclusão que, o profissional, qualquer que seja sua área de formação, precisa sair da Universidade com a compreensão lúcida da significação de sua existência, em função de sua pertença à espécie humana e das conseqüências dessa pertença, de sua inserção numa determinada sociedade histórica, com seus vínculos e peculiaridades e dos recursos do conhecimento humano na construção de todas essas referências. Em outras palavras, é preciso conhecer seu dom vocacional para determinada profissão e dessa forma aplicar o melhor de si e não permitir que nenhum obstáculo seja maior que seus objetivos, e antes de mais nada, sempre ter uma meta para ser alcançada. A profissão professor, exige mais do eu professor do que o sistema que o gerencia, então ser educador é uma dádiva vocacional e isso não se aprende em bancos universitários.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

José Carlos Libâneo é doutor em filosofia e História da Educação pela PUC-SP. Em São Paulo, até 1972, foi diretor de escola pública, professor em instituições de ensino superior e colaborar em projetos da Secretaria de Educação Estadual. Em Goiânia, trabalhou na Secretaria de Educação em programas de formação e capacitação profissional de professores. Professor titular da Faculdade de Educação na Universidade Federal de Goiás, coordenou por quatro anos o Mestrado de Educação. Atualmente é professor na Universidade Católica de Goiás. Escreveu Democratização da escola Pública; a pedagogia crítico-social dos conteúdos (ed. Loyola), didática (Cortez, 1994), Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente (2001) co-autor em seis livros. Pesquisa e publica artigos em revistas especializadas sobre teoria da Educação, Didática e Organização Escolar.

No livro em questão o autor apresenta assuntos relacionados com novas exigências de formação de professores colocadas pelas novas realidades contemporâneas, visando uma qualidade de ensino para todos, sob uma perspectiva emancipadora. O autor permite-nos refletir sobre o papel da escola e dos professores neste momento da história, chamado de sociedade pós-moderna. Diante das transformações tecnológicas e científicas que intervém nas várias esferas da vida social, trazendo mudanças políticas, culturais, econômicas e sociais, o autor aponta para a valorização da escola e o engrandecimento do professor sem, contudo, esconder os problemas existentes, tais como, falta de políticas globais e medidas tímidas por parte do governo, no que diz respeito a “reformas” para a educação e, além disso, a falta de qualificação profissional do professorado, a tendência de desprofissionalização e o decréscimo do conceito social da profissão na sociedade.

O autor argumenta que a escola deve deixar de ser mera transmissora de informação para transformar-se em um lugar de análise crítica e produção de informações. O conhecimento deve possibilitar a atribuição de significado à informação. A escola deve introduzir o aluno no significado da cultura e da ciência. As atitudes docentes, segundo o autor, devem ser a de assumir o ensino como mediação na aprendizagem ativa do aluno, ou seja, o professor deve considerar os conhecimentos, a experiência e os significados que os alunos trazem à sala de aula, seu potencial cognitivo, sua maneira de pensar, e, assim transformar o sujeito num ser pensante.

Também deve contribuir para ligar o conhecimento científico a uma cognição prática para compreender a realidade e transformá-la. Ainda, destaca que deve desenvolver comportamento ético e saber orientar os alunos em valores e atitudes em relação à vida e às relações humanas. O autor aponta para a necessidade de resgatar a profissionalidade do professor, ampliar a ação dos sindicatos, de modo que a profissão ganhe mais credibilidade. Enfim, contribuir para que os professores em exercício e afins se unam em torno da idéia de que ensino de qualidade afinado com as exigências do mundo contemporâneo é uma questão moral, de convivência e de sobrevivência profissional.

Os educadores são unânimes em reconhecer as várias solicitações que a sociedade nos impõem. A estrutura organizacional da escola básica embora afetada nas suas funções mantém-se como instituição necessária à democracia. Não há reforma educacional, não há proposta pedagógica sem professores.

A escola sonhada é aquela que assegura a todos a formação cultural e científica para a vida pessoal, profissional e cidadã, possibilitando uma relação autônoma, crítica e construtiva com a cultura em suas várias manifestações.

Enquadrar o professor no novo contexto educacional requer diretrizes básicas: que o educador em primeiro lugar queira se adequar, progredir, estar inserido no mundo moderno e tecnológico. O professor do novo milênio precisa antes de tudo aceitar que os métodos antigos são “antigos”, a globalização transformou o mundo numa vizinhança onde ao menor “clic” num “mouse” leva você a qualquer lugar do planeta onde tudo está acontecendo. Existem alguns educadores que se recusam a admitir inovações como a técnica do “aprender a aprender”, onde o aluno se torna capaz de pesquisar o assunto a ser discutido na próxima aula.

Com base na leitura do referido livro entende-se a necessidade de cada profissional de educação em estar capacitado para exercer o cargo de educador do futuro, através de cursos, oficinas e seminários nesse sentido ter-se-á um profissional pronto para se adequar ao mundo tecnológico, aquele que se opuser a esta nova performance de mercado será provavelmente engolido por ele.