MORIN Edgar, ROGER Emilio Ciurana, MOTTA Raúl. Educar na era Planetária, São Paulo: 2 ed. Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2007.
Edgar Nahoun (que mais tarde adotará o sobrenome "Morin") nasce em Paris no dia 8 de julho 1921 na França. É o filho único de um casal de judeus sefarditas (descendentes dos judeus expulsos da península ibérica em 1492/1496). Graduou-se em História, Geografia e Direito e a sua preferência pelas ciências humanas o fez desenvolver estudos também nas áreas de Sociologia, Filosofia e Economia.
O livro Educar na era Planetária, conta com a participação de Emilio Roger-Ciurana e Raúl Domingo Motta, Morin discute as implicações de um mundo voltado para a prevalência das técnicas e do mercado em oposição a condição ética dos sujeitos à margem. A proposição é educar para a era planetária.
A obra representa um passo importante no processo de construção de uma nova escola para o século XXI. Os autores trabalham o método decorrente desse pensamento explicitando-o como estratégia aberta e evolutiva. No sentido de elaborar a teoria do pensamento complexo. As pesquisas de Morim visam produzir um conhecimento que não seja fragmentado, em que importa tanto o indivíduo quanto o planeta como um todo.
Edgar Morin denominou Complexidade, essa nova maneira de conceber os fenômenos, negando assim que “pensar é simplificar o real”. Essa forma de pensar levou o autor a viver em um ostracismo intelectual durante algum tempo.
Na visão de Morim, tornou-se vital conhecer o destino planetário, e interrogar o caos dos acontecimentos onde se misturam e interferem os processos econômicos, políticos, sociais, nacionais, éticos, religiosos e mitológicos. Enfim, é necessário saber o que acontece, o que ameaça o que poderá esclarecer e, talvez, salvar.
No momento em que o planeta tem, cada vez mais, necessidade de mentes aptas para analisar e resolver na sua complexidade os seus problemas fundamentais e globais, os sistemas de ensino, em todos os países, continua a parcelar e a separar os conhecimentos que deveriam ser religados, continuam a formar mentes que apenas privilegiam uma única dimensão dos problemas, ocultando os outros.
O texto de Morim contribui para uma reforma de pensamento proposta no texto, quando o autor cita a importância dos professores adotarem medidas previstas na LDB, quando ressalta a importância do educador buscar inovar-se com métodos compatíveis com aquilo que ele pretende passar aos alunos.
Entende-se assim que, com base na visão de Morim, percebe-se a certeza de que os profissionais escondem-se por trás da crise educacional como vítimas como os principais afetados por ela, mas o que não vêem é que estão proporcionando uma defasagem ainda maior, já que nada fazem para inverter esse quadro algumas vezes criado por eles próprios. O professor por si só se desclassifica das outras profissões, e essa atitude, ele leva para a sala de aula, afetando o ensino-aprendizagem entre professor X alunos X professor, que passam a não falar a mesma língua. E o resultado dessa conduta é a desfragmentação total e presente do sistema educativo atual. O livro “Educar na era planetária” aborda de forma filosófica, temas essenciais para a educação contemporânea, que algumas vezes são ignorados ou deixados à margem dos debates sobre a educação global. Nesse sentido abordar as concepções filosóficas de Edgar Morim e relacioná – las com a vivência de estágio é o mesmo que enfocar as práticas pedagógicas da atualidade, visando nortear a importância da educação no contexto atual de acordo com os desafios propostos pela atual conjuntura. Entende – se assim que a educação, que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo, encontra-se no cerne dessa nova missão. Este é, certamente, o ponto nevrálgico do estágio, a esperança para o 3º milênio reside no que o autor chama de cidadania terrestre, já que acredita que o ser humano possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis.
Uma estória sobre crianças e escolas para pais e professores
ALVES, Rubem. Pinóquio às avessas: uma estória sobre crianças e escolas para pais e professores. Campinas, SP: Verus Editora, 2005.
O autor inicia sua obra com uma citação de Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”, o que retrata toda a intencionalidade da sua proposta. Antes de começar a história propriamente dita, explica a causa que o motivou a escrevê-la e remetendo a uma cena do passado, montando um quebra-cabeça da história do Pinóquio com seus pais, que o faz refletir sobre todas as histórias infantis e seus finais distorcidos na atualidade. Daí nasce o questionamento: “A história do Pinóquio, me parece, ensina que as crianças nascem de pau e, só depois de passarem pela escola, ficam crianças de verdade. Se não passarem pela escola, correm o risco de se tornar jumentinhos, com rabo e orelhas de burro, além de zurrar”. É com base referencial, dessa história contada às avessas, que Rubem Alves com uma leitura poética e prazerosa leva a refletir tão desarmadamente sobre questões já tão debatidas, mas ainda atuais, em busca de mudanças: a importância da contribuição da educação informal dos pais para a transformação da criança para a vida.
Refletindo sobre as histórias infantis, o autor questiona sobre a moral distorcida de algumas, mas se detém na história do Pinóquio, que trata exatamente da temática relação escola–aprendizagem. Em sua proposta às avessas, inicia a história transformando o boneco de pau, Pinóquio, em menino de carne e osso. E cria os personagens: o pai e um filho, Felipe, que estabelecem um diálogo com reflexões sobre a necessidade de ir à escola para obter a condição de aprendizagem e passar a ser gente de verdade. A não-ida o faz vítima de um castigo como o de Pinóquio: tornar-se burro. O que desperta na criança, mesmo sem entender muito, a importância de ir à escola. Sendo esta a condição necessária para ser gente... E a preocupação de ainda não ser gente pelo fato de ainda não ter ido à escola.
Após a introdução necessária para o entendimento da proposta, o autor distancia-se um pouco da história do Pinóquio como base referencial e avança diretamente para a abordagem temática da relação educação–pais–escolas–professores e a formação da criança. Começa pela questão sobre toda a expectativa criada pelos pais para o futuro dos filhos, logo ao nascerem, pautadas apenas em seus desejos, que eles transformam em planos, mas não comunicam ao primeiro interessado: o filho. Por outro lado, a criança, por desconhecer os sonhos e planos de seus pais quanto ao seu futuro, vive intensamente o presente, na perspectiva de construir seu futuro através da curiosidade, que lhe é nata, para a aprendizagem do mundo.
Em seguida, o autor aborda a postura dos adultos (pais) quanto ao impedimento da construção do entendimento do mundo pela criança e sua total falta de preparo para participar dessa construção. Os adultos não sabem responder às questões desconhecidas pelas crianças... E, como não bastasse, fazem o seguinte encaminhamento: “...quando nem seu pai nem sua mãe sabiam as respostas para suas perguntas, eles diziam: ‘Na escola, você aprenderá...’. E Felipe dormia feliz, pensando: ‘A escola deve ser um lugar maravilhoso! Lá os professores responderão as minhas perguntas...’”. Com isso, o autor faz uma reflexão: as crianças perguntam exatamente o que eles não sabem? Como não sabem se foram à escola? Ou a escola a que foram não ensina tudo isso...? E, para “resolver” essa questão, os pais criam novas expectativas nas crianças: “Você aprenderá isso na escola”.
Pode considerar um excelente ponto de reflexão: enquanto adultos (pais), como ou quanto está preparado para responder um “não” óbvio? Se obtiveram uma educação que motivasse sua curiosidade ou se simplesmente foram educados para saber o que pais, escolas e professores acreditam que é certo e necessário para ser gente e um adulto de sucesso? Responsabilizar a escola resolve a questão ou a piora mais ainda?
Novamente, o autor desperta para a discussão sobre a postura dos adultos (pais) nas intervenções da formação educacional das crianças. É muito comum os adultos perguntarem o que a criança quer ser quando crescer e, logo em seguida, limitarem o futuro dela a um “adulto que trabalha”, como a única e última opção na vida, além de associarem essa condição ao papel e à responsabilidade da escola. Nesse sentido, faz-se uma reflexão quanto ao despreparo, por exemplo, quando antecipa-se um futuro sem considerar primeiro os desejos e sonhos em potencial da criança, e, logo em seguida, limita-o do entendimento da vida, quando presta-se a informações distorcidas sobre o papel e a responsabilidade da escola na formação do adulto. Faz-se necessário repensar essas intervenções, que, em vez de contribuírem para o entendimento do mundo, criam mais expectativas que tão logo são questionadas pelas crianças e transformadas em frustrações.
Em seguida a essa proposta de reflexão, o autor contextualiza o processo de avaliação na perspectiva do aprendizado para a vida, através de índices numéricos, conteúdos programados e decisões quanto à vida da criança e dos adultos. Embora o diálogo ainda seja entre pai e filho, o autor já avança para questões focadas nas responsabilidades da escola — nesse caso, o processo de avaliação. Nesse momento, ele desperta para a discussão da prática da/do escola/professor, que propõe uma educação para a vida e, ao mesmo tempo, desenvolve processos de avaliação que restringem o aprendizado a um número (nota) e o seu desenvolvimento a decisões quantificadas e padronizadas, o que, a maioria das vezes, nem mesmo admite. Mas o faz.
Novamente, a escola é questionada. E faz-se uma reflexão sobre até que ponto tem consciência dessa distorção. E, sabe, que por insistir em praticá-las? Por fim, o que pode ser feito para mudar efetivamente essa prática desalinhada com as propostas que são defendidas? Ou são pseudopropostas?
No contexto escolar, o autor passa o diálogo para o personagem Felipe, em reflexão, para questionar sobre a estrutura das escolas que dizem formar crianças para a vida. Em suas reflexões e seus sonhos, o personagem compara a estrutura das escolas com gaiolas e as crianças-alunos com pássaros, pondo em discussão a organização disciplinar rígida, começando pelo formato da “casa”, que é o ambiente escolar, seguido dos procedimentos das atividades disciplinares sinalizadas e terminando pela exigência do cumprimento dessas normas e regras pertinentes às escolas para a formação do adulto.
Mais uma vez, o autor desperta para rever a incoerência do conjunto estrutural do ambiente de formação para a vida: normas, regras, exigências de cumprimento e nenhuma flexibilidade, em contraponto à necessidade das crianças de praticarem sua curiosidade. O autor traz para reflexão o modelo de “casa” em que acredi1ta-se ser uma formação para a vida. E questiona, através do personagem: “Onde fica o respeito às diferenças individuais?”.
O ponto de reflexão avança para os programas curriculares. E, através do personagem Felipe, em suas perguntas e seus sonhos, o autor desperta para uma avaliação sobre os programas curriculares formatados para serem ensinados a todos e ao mesmo tempo organizados em conteúdos que deverão ser ensinados desarticuladamente por professores específicos, mas no mesmo tempo e ritmo para todas as crianças. A discussão é: teoriza-se tanto a diversidade na sala de aula, vivem-se tanto as diferenças individuais, defende-se mais ainda a necessidade do respeito ao ritmo de cada criança e por que se pratica a padronização tanto na aplicação de conteúdos como na velocidade da aprendizagem? Por que é entendido tão bem essas questões teoricamente e praticada o inverso?
Sendo necessário uma reflexão sobre o que se entende por proposta curricular, como deve ser aplicada e que resultados devem ser alcançados. Nesse questionamento, o autor foca o professor, seu papel, seu saber teórico e a aplicabilidade prática do que ele ensina. Onde e em que está a falha? Na formação da criança? Na formação acadêmica dos professores? Nas exigências do cumprimento das normas e regras governamentais? Ou em todas as alternativas?
Nessa perspectiva, o autor faz um convite para um aprofundamento da reflexão sobre a discussão dos programas curriculares, o não-respeito à individualidade das crianças no processo de aprendizagem e a padronização de metas de ensino.
Nesse sentido, deve - se compreender que, na condição de boneco, o aluno não pode voar em busca da realização de seus desejos e sonhos, quando da construção do conhecimento do mundo. Como boneco, não pode pensar a não ser naquilo que o professor ensina. Não pode criar, porque é proibido fazer diferente do que já existe pronto. Tem de obedecer ao pronto, padronizado, determinado por outros, que nem mesmo o conhecem, sob a ameaça de virar burro, sem direito a fada madrinha..., para sempre.
Por fim, o autor pontua com muita propriedade os resultados que serão obtidos se continuar com a prática de uma proposta de educação “formatada” no ambiente escolar, na perspectiva de transformar crianças criativas em adultos bonecos, para manipulação, a serviço do mercado de trabalho.
Pode - se concluir que, simplesmente, a proposta do Rubem Alves é maravilhosa! Pinóquio às Avessas: uma Estória sobre Crianças e Escolas para Pais e Professores é uma forma sutil de encaminhar pais e professores a reflexões tão difíceis, até mesmo, de se aceitar. Mas, poética, carinhosa e precisamente pontuada, torna-se inquestionável a evidência da necessidade de refletir na perspectiva de avanços para mudanças efetivas.
ALVES, Rubem. Pinóquio às avessas: uma estória sobre crianças e escolas para pais e professores. Campinas, SP: Verus Editora, 2005.
O autor inicia sua obra com uma citação de Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”, o que retrata toda a intencionalidade da sua proposta. Antes de começar a história propriamente dita, explica a causa que o motivou a escrevê-la e remetendo a uma cena do passado, montando um quebra-cabeça da história do Pinóquio com seus pais, que o faz refletir sobre todas as histórias infantis e seus finais distorcidos na atualidade. Daí nasce o questionamento: “A história do Pinóquio, me parece, ensina que as crianças nascem de pau e, só depois de passarem pela escola, ficam crianças de verdade. Se não passarem pela escola, correm o risco de se tornar jumentinhos, com rabo e orelhas de burro, além de zurrar”. É com base referencial, dessa história contada às avessas, que Rubem Alves com uma leitura poética e prazerosa leva a refletir tão desarmadamente sobre questões já tão debatidas, mas ainda atuais, em busca de mudanças: a importância da contribuição da educação informal dos pais para a transformação da criança para a vida.
Refletindo sobre as histórias infantis, o autor questiona sobre a moral distorcida de algumas, mas se detém na história do Pinóquio, que trata exatamente da temática relação escola–aprendizagem. Em sua proposta às avessas, inicia a história transformando o boneco de pau, Pinóquio, em menino de carne e osso. E cria os personagens: o pai e um filho, Felipe, que estabelecem um diálogo com reflexões sobre a necessidade de ir à escola para obter a condição de aprendizagem e passar a ser gente de verdade. A não-ida o faz vítima de um castigo como o de Pinóquio: tornar-se burro. O que desperta na criança, mesmo sem entender muito, a importância de ir à escola. Sendo esta a condição necessária para ser gente... E a preocupação de ainda não ser gente pelo fato de ainda não ter ido à escola.
Após a introdução necessária para o entendimento da proposta, o autor distancia-se um pouco da história do Pinóquio como base referencial e avança diretamente para a abordagem temática da relação educação–pais–escolas–professores e a formação da criança. Começa pela questão sobre toda a expectativa criada pelos pais para o futuro dos filhos, logo ao nascerem, pautadas apenas em seus desejos, que eles transformam em planos, mas não comunicam ao primeiro interessado: o filho. Por outro lado, a criança, por desconhecer os sonhos e planos de seus pais quanto ao seu futuro, vive intensamente o presente, na perspectiva de construir seu futuro através da curiosidade, que lhe é nata, para a aprendizagem do mundo.
Em seguida, o autor aborda a postura dos adultos (pais) quanto ao impedimento da construção do entendimento do mundo pela criança e sua total falta de preparo para participar dessa construção. Os adultos não sabem responder às questões desconhecidas pelas crianças... E, como não bastasse, fazem o seguinte encaminhamento: “...quando nem seu pai nem sua mãe sabiam as respostas para suas perguntas, eles diziam: ‘Na escola, você aprenderá...’. E Felipe dormia feliz, pensando: ‘A escola deve ser um lugar maravilhoso! Lá os professores responderão as minhas perguntas...’”. Com isso, o autor faz uma reflexão: as crianças perguntam exatamente o que eles não sabem? Como não sabem se foram à escola? Ou a escola a que foram não ensina tudo isso...? E, para “resolver” essa questão, os pais criam novas expectativas nas crianças: “Você aprenderá isso na escola”.
Pode considerar um excelente ponto de reflexão: enquanto adultos (pais), como ou quanto está preparado para responder um “não” óbvio? Se obtiveram uma educação que motivasse sua curiosidade ou se simplesmente foram educados para saber o que pais, escolas e professores acreditam que é certo e necessário para ser gente e um adulto de sucesso? Responsabilizar a escola resolve a questão ou a piora mais ainda?
Novamente, o autor desperta para a discussão sobre a postura dos adultos (pais) nas intervenções da formação educacional das crianças. É muito comum os adultos perguntarem o que a criança quer ser quando crescer e, logo em seguida, limitarem o futuro dela a um “adulto que trabalha”, como a única e última opção na vida, além de associarem essa condição ao papel e à responsabilidade da escola. Nesse sentido, faz-se uma reflexão quanto ao despreparo, por exemplo, quando antecipa-se um futuro sem considerar primeiro os desejos e sonhos em potencial da criança, e, logo em seguida, limita-o do entendimento da vida, quando presta-se a informações distorcidas sobre o papel e a responsabilidade da escola na formação do adulto. Faz-se necessário repensar essas intervenções, que, em vez de contribuírem para o entendimento do mundo, criam mais expectativas que tão logo são questionadas pelas crianças e transformadas em frustrações.
Em seguida a essa proposta de reflexão, o autor contextualiza o processo de avaliação na perspectiva do aprendizado para a vida, através de índices numéricos, conteúdos programados e decisões quanto à vida da criança e dos adultos. Embora o diálogo ainda seja entre pai e filho, o autor já avança para questões focadas nas responsabilidades da escola — nesse caso, o processo de avaliação. Nesse momento, ele desperta para a discussão da prática da/do escola/professor, que propõe uma educação para a vida e, ao mesmo tempo, desenvolve processos de avaliação que restringem o aprendizado a um número (nota) e o seu desenvolvimento a decisões quantificadas e padronizadas, o que, a maioria das vezes, nem mesmo admite. Mas o faz.
Novamente, a escola é questionada. E faz-se uma reflexão sobre até que ponto tem consciência dessa distorção. E, sabe, que por insistir em praticá-las? Por fim, o que pode ser feito para mudar efetivamente essa prática desalinhada com as propostas que são defendidas? Ou são pseudopropostas?
No contexto escolar, o autor passa o diálogo para o personagem Felipe, em reflexão, para questionar sobre a estrutura das escolas que dizem formar crianças para a vida. Em suas reflexões e seus sonhos, o personagem compara a estrutura das escolas com gaiolas e as crianças-alunos com pássaros, pondo em discussão a organização disciplinar rígida, começando pelo formato da “casa”, que é o ambiente escolar, seguido dos procedimentos das atividades disciplinares sinalizadas e terminando pela exigência do cumprimento dessas normas e regras pertinentes às escolas para a formação do adulto.
Mais uma vez, o autor desperta para rever a incoerência do conjunto estrutural do ambiente de formação para a vida: normas, regras, exigências de cumprimento e nenhuma flexibilidade, em contraponto à necessidade das crianças de praticarem sua curiosidade. O autor traz para reflexão o modelo de “casa” em que acredi1ta-se ser uma formação para a vida. E questiona, através do personagem: “Onde fica o respeito às diferenças individuais?”.
O ponto de reflexão avança para os programas curriculares. E, através do personagem Felipe, em suas perguntas e seus sonhos, o autor desperta para uma avaliação sobre os programas curriculares formatados para serem ensinados a todos e ao mesmo tempo organizados em conteúdos que deverão ser ensinados desarticuladamente por professores específicos, mas no mesmo tempo e ritmo para todas as crianças. A discussão é: teoriza-se tanto a diversidade na sala de aula, vivem-se tanto as diferenças individuais, defende-se mais ainda a necessidade do respeito ao ritmo de cada criança e por que se pratica a padronização tanto na aplicação de conteúdos como na velocidade da aprendizagem? Por que é entendido tão bem essas questões teoricamente e praticada o inverso?
Sendo necessário uma reflexão sobre o que se entende por proposta curricular, como deve ser aplicada e que resultados devem ser alcançados. Nesse questionamento, o autor foca o professor, seu papel, seu saber teórico e a aplicabilidade prática do que ele ensina. Onde e em que está a falha? Na formação da criança? Na formação acadêmica dos professores? Nas exigências do cumprimento das normas e regras governamentais? Ou em todas as alternativas?
Nessa perspectiva, o autor faz um convite para um aprofundamento da reflexão sobre a discussão dos programas curriculares, o não-respeito à individualidade das crianças no processo de aprendizagem e a padronização de metas de ensino.
Nesse sentido, deve - se compreender que, na condição de boneco, o aluno não pode voar em busca da realização de seus desejos e sonhos, quando da construção do conhecimento do mundo. Como boneco, não pode pensar a não ser naquilo que o professor ensina. Não pode criar, porque é proibido fazer diferente do que já existe pronto. Tem de obedecer ao pronto, padronizado, determinado por outros, que nem mesmo o conhecem, sob a ameaça de virar burro, sem direito a fada madrinha..., para sempre.
Por fim, o autor pontua com muita propriedade os resultados que serão obtidos se continuar com a prática de uma proposta de educação “formatada” no ambiente escolar, na perspectiva de transformar crianças criativas em adultos bonecos, para manipulação, a serviço do mercado de trabalho.
Pode - se concluir que, simplesmente, a proposta do Rubem Alves é maravilhosa! Pinóquio às Avessas: uma Estória sobre Crianças e Escolas para Pais e Professores é uma forma sutil de encaminhar pais e professores a reflexões tão difíceis, até mesmo, de se aceitar. Mas, poética, carinhosa e precisamente pontuada, torna-se inquestionável a evidência da necessidade de refletir na perspectiva de avanços para mudanças efetivas.
Convém destacar, neste momento, a forma como vem sendo trabalhada a alfabetização atualmente, tendo como ponto de referência os Parâmetros Curriculares Nacionais e a Lei de Diretrizes e Bases, bem como o referencial teórico que norteia o planejamento dos professores de 1ª série de uma escola da rede particular de ensino da cidade de Curitiba.
De acordo com a Lei 9394/96, artigo 32: o ensino fundamental terá por objetivo a formação básica do cidadão partindo-se do desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, escrita e do cálculo. Neste mesmo artigo, comenta-se sobre a questão da compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade.
Neste ponto, a Lei parece ressaltar a questão da aquisição da leitura e escrita como de fundamental importância na atualidade, porém não fica bem clara a relação entre a busca da compreensão do mundo que cerca o aprendiz, a partir das habilidades e capacidades alcançadas a partir da alfabetização, parecendo que se tratam de condições isoladas, quando na verdade, constituem um complemento uma da outra.
De acordo com os PCNs, o material de leitura tem muita relevância no trabalho de formação de bons leitores, uma vez que as crianças aprendem a gostar de ler quando, de alguma forma, a qualidade de suas vidas melhora com a leitura. Fica clara, portanto, a preocupação com a questão do letramento, da utilidade dos conhecimentos aprendidos sobre a alfabetização no dia-a-dia do aluno, ou seja, a aplicabilidade da leitura e escrita em sua função social.
Para que o aluno alcance o objetivo de interpretar e produzir textos, a unidade básica de ensino da leitura e escrita não deve ser nem a letra, nem a palavra e nem a frase descontextualizada. Os PCNs propõem o trabalho com a alfabetização a partir de textos, incluindo-se todas as tipologias textuais. Desta forma, a palavra PARE escrita no asfalto pode originar uma série de discussões e análises, as quais diferem drasticamente da simplista construção de uma lista de palavras iniciadas com P, totalmente fora de contexto.
Finalmente, destaca-se nos Parâmetros que para ler e escrever é preciso pensar sobre a escrita, pensar sobre o que a escrita representa e como ela representa graficamente a linguagem. A partir desta reflexão, a criança conseguirá vivenciar a questão da alfabetização e perceber o processo de forma natural e completa.
Relacionando os aspectos acima destacados com o referencial teórico e a prática em turma de 1ª série de uma escola de Curitiba - PR, percebe-se que muito se tem tentado inovar e modificar no ensino da leitura e escrita. A questão do trabalho gerado a partir de textos já parece ter se tornado unanimidade por parte dos educadores. A questão que parece ainda gerar polêmica é: de que maneira conduzir o trabalho com textos?
O referencial teórico que permeia a prática na já referida escola tem como eixo central a proposta feita pela autora Miriam Lemle2 (2001). Esta autora faz toda uma observação inicial acerca das capacidades necessárias ao educando para se alfabetizar, tais como a questão da percepção, da idéia do que seja um símbolo, da discriminação das formas das letras, bem como da organização e estruturação do texto escrito.
Porém, a questão central de seu trabalho, consiste em relacionar as hipóteses que as crianças vão construindo no decorrer do processo de alfabetização e da importância da superação de cada uma destas etapas para o avanço em um estágio mais avançado.
De acordo com a Lei 9394/96, artigo 32: o ensino fundamental terá por objetivo a formação básica do cidadão partindo-se do desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, escrita e do cálculo. Neste mesmo artigo, comenta-se sobre a questão da compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade.
Neste ponto, a Lei parece ressaltar a questão da aquisição da leitura e escrita como de fundamental importância na atualidade, porém não fica bem clara a relação entre a busca da compreensão do mundo que cerca o aprendiz, a partir das habilidades e capacidades alcançadas a partir da alfabetização, parecendo que se tratam de condições isoladas, quando na verdade, constituem um complemento uma da outra.
De acordo com os PCNs, o material de leitura tem muita relevância no trabalho de formação de bons leitores, uma vez que as crianças aprendem a gostar de ler quando, de alguma forma, a qualidade de suas vidas melhora com a leitura. Fica clara, portanto, a preocupação com a questão do letramento, da utilidade dos conhecimentos aprendidos sobre a alfabetização no dia-a-dia do aluno, ou seja, a aplicabilidade da leitura e escrita em sua função social.
Para que o aluno alcance o objetivo de interpretar e produzir textos, a unidade básica de ensino da leitura e escrita não deve ser nem a letra, nem a palavra e nem a frase descontextualizada. Os PCNs propõem o trabalho com a alfabetização a partir de textos, incluindo-se todas as tipologias textuais. Desta forma, a palavra PARE escrita no asfalto pode originar uma série de discussões e análises, as quais diferem drasticamente da simplista construção de uma lista de palavras iniciadas com P, totalmente fora de contexto.
Finalmente, destaca-se nos Parâmetros que para ler e escrever é preciso pensar sobre a escrita, pensar sobre o que a escrita representa e como ela representa graficamente a linguagem. A partir desta reflexão, a criança conseguirá vivenciar a questão da alfabetização e perceber o processo de forma natural e completa.
Relacionando os aspectos acima destacados com o referencial teórico e a prática em turma de 1ª série de uma escola de Curitiba - PR, percebe-se que muito se tem tentado inovar e modificar no ensino da leitura e escrita. A questão do trabalho gerado a partir de textos já parece ter se tornado unanimidade por parte dos educadores. A questão que parece ainda gerar polêmica é: de que maneira conduzir o trabalho com textos?
O referencial teórico que permeia a prática na já referida escola tem como eixo central a proposta feita pela autora Miriam Lemle2 (2001). Esta autora faz toda uma observação inicial acerca das capacidades necessárias ao educando para se alfabetizar, tais como a questão da percepção, da idéia do que seja um símbolo, da discriminação das formas das letras, bem como da organização e estruturação do texto escrito.
Porém, a questão central de seu trabalho, consiste em relacionar as hipóteses que as crianças vão construindo no decorrer do processo de alfabetização e da importância da superação de cada uma destas etapas para o avanço em um estágio mais avançado.
Este texto traz sob o ponto de vista acadêmico uma breve análise da concepção do médico austríaco Sigmound Freud sobre o pensamento em consonância com a relevância do uso da ferramenta de gestão SWOT. Como uma importante aliada ao sistema organizacional de uma empresa, a ferramenta de gestão SWOT vem como referencia aos termos força e fraqueza quando direcionada ao ambiente interno e oportunidade e ameaça ao ambiente externo.
Com base na leitura do texto “O que Sigmound Freud tem em comum com a ferramenta de gestão SWOT”, entende-se que o pensamento citado e definido por Freud é essencial no sistema organizacional de uma empresa, desde que haja objetividade e poder de persuasão para a tomada de decisões no planejamento estratégico dos negócios. Além é claro de sua importância na vida pessoal, pois como o texto ressalta quando temos um momento de introspecção é possível que enxerguemos nossos medos e sonhos, e com isso possamos conhecer nossas forças e fraquezas. O que de fato propicia competência para nos adaptar as mudanças que venham a ocorrer tanto no ambiente de trabalho como na vida pessoal, dessa forma vindo a aproveitar as oportunidades e enfrentar as ameaças que surgirem.
Leva-se a crer que agir com o pensamento realizando uma análise avaliativa quanto aos nossos acertos e erros e ao mesmo tempo ser consciente de nossas ações permite uma segurança quanto ao mercado competitivo de trabalho, caso contrário a insegurança e o despreparo levarão ao fracasso profissional.
Com base na leitura do texto “O que Sigmound Freud tem em comum com a ferramenta de gestão SWOT”, entende-se que o pensamento citado e definido por Freud é essencial no sistema organizacional de uma empresa, desde que haja objetividade e poder de persuasão para a tomada de decisões no planejamento estratégico dos negócios. Além é claro de sua importância na vida pessoal, pois como o texto ressalta quando temos um momento de introspecção é possível que enxerguemos nossos medos e sonhos, e com isso possamos conhecer nossas forças e fraquezas. O que de fato propicia competência para nos adaptar as mudanças que venham a ocorrer tanto no ambiente de trabalho como na vida pessoal, dessa forma vindo a aproveitar as oportunidades e enfrentar as ameaças que surgirem.
Leva-se a crer que agir com o pensamento realizando uma análise avaliativa quanto aos nossos acertos e erros e ao mesmo tempo ser consciente de nossas ações permite uma segurança quanto ao mercado competitivo de trabalho, caso contrário a insegurança e o despreparo levarão ao fracasso profissional.
Os behavioristas afirmam que o conflito entre os objetivos que as organizações que individualmente cada participante pretende alcançar, nem sempre se deram muito bem já que segundo eles os autores behavioristas têm feito distinções entre problema, dilema, e conflito. Onde um problema envolve uma dificuldade que pode ser solucionada dentro de um quadro de referência formulado pela organização, pelos precedentes utilizados, pela solução ou pela aplicação de diretrizes existentes entre outros pontos fundamentais. Segundo Chiavenato (1997) existe o conflito quando um indivíduo o grupo se defronta com um problema de decisão entre duas alternativas incompatíveis entre si ou adota uma e se contrapõe outra ou vice-versa.
Dessa forma compreende-se que a estrutura, a liderança diretiva e os regulamentos e controles administrativos existentes nas organizações são inadequadas para os indivíduos maduros, pelo qual, pode existir um conflito entre indivíduo e organização. Os princípios de organização formal fazem exigências aos indivíduos qual as compõe. Maslow (1954) ressalta que algumas dessas exigências são incongruentes com as necessidades dos indivíduos, daí surgindo a frustração, o conflito, o malogro e a curta perspectiva temporal como resultantes previstos dessas incongruências. Embora segundo o autor seja perfeitamente possível a integração das necessidades individuais de auto-expresão com os requisitos de produção de uma organização; as organizações que apresentam um alto grau de integração entre objetivos individuais e organizacionais são mais produtivos do que as outras e dessa forma ao invés de reprimir o desenvolvimento e o potencial do indivíduo, as organizações podem contribuir para sua melhoria.
A responsabilidade pela integração de objetivos organizacionais e pessoais recai sobre a alta administração. A interdependência entre as necessidades do indivíduo e da organização é imensa, seus objetivos estão unidos, em ambas as partes devem contribuir mutuamente para o balance de seus respectivos objetivos.
Barnard (1971) afirma que o indivíduo deve ser eficaz e ser eficiente ressaltando ainda que os conflitos entre os objetivos organizacionais e objetivos das pessoas são inevitáveis. As pessoas se juntam e formam organizações para através destas alcançarem seus objetivos individuais, os quais não seriam possíveis de ser alcançados sozinhos. Contudo, a relação organização versus pessoa, além de dinâmico é complexo. Sendo possível entender que os objetivos individuais são variáveis de acordo com a percepção de cada pessoa. Já os objetivos organizacionais resultam da vontade grupal da qual o indivíduo faz parte, independente de sua expectativa motivacional. A tendência de uma organização bem sucedida é crescer. Porém, a medida que crescem as organizações precisam de mais indivíduos para comporem a unidade produtiva.
E sendo assim os novos indivíduos vão perseguir objetivos individuais diferentes daqueles que formaram a organização originalmente. Esse fato faz com que os objetivos organizacionais se distanciem gradativamente dos objetivos individuais dos novos componentes, causando os conflitos organizacionais. Nessa perspectiva, nem sempre o relacionamento entre as pessoas e a organização é satisfatório e cooperativo, podendo descambar para a tensão e o conflito.
Segundo Chiavenato (2002) os conflitos organizacionais ocorrem quando, por exemplo: a redução de custos esbarra na expectativa de melhores salários; o aumento da lucratividade conflita com maiores benefícios social; a produtividade na conta com o esforço necessário dos operários; a coordenação perde a autonomia; a autoridade não é consentida; o que é bom para um nem sempre é bom para o outro, etc. Contudo Chiavenato (2002) enfatiza que é necessário um vigoroso processo de integração de objetivos, visando evitar a desmotivação e a conseqüente queda da produtividade que poderá levar a organização a um processo entrópico e, por fim, à morte e que a parcela maior de responsabilidade pela integração entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais recai sobre a organização.
Nesse sentido cabe então a organização estabelecer os meios, as políticas, os critérios e o mais necessário para proporcionar aos indivíduos o conhecimento pleno de suas possibilidades dentro da organização, cabendo-lhe a decisão final de fazer parte ou não da mesma. O que permite ressaltar a interação psicológica como basicamente um processo de reciprocidade. Onde a organização espera que o indivíduo colabore com a produção e o indivíduo espera que a organização se comporte justamente, seja através de remuneração adequada, seja através de um confortante clima organizacional proporcionado.
O provável é que as necessidades organizacionais e individuais são interdependentes. Um precisa do outro para alcançar seus objetivos, onde ambas as partes devem contribuir mutuamente para o alcance dos respectivos objetivos.
Dessa forma compreende-se que a estrutura, a liderança diretiva e os regulamentos e controles administrativos existentes nas organizações são inadequadas para os indivíduos maduros, pelo qual, pode existir um conflito entre indivíduo e organização. Os princípios de organização formal fazem exigências aos indivíduos qual as compõe. Maslow (1954) ressalta que algumas dessas exigências são incongruentes com as necessidades dos indivíduos, daí surgindo a frustração, o conflito, o malogro e a curta perspectiva temporal como resultantes previstos dessas incongruências. Embora segundo o autor seja perfeitamente possível a integração das necessidades individuais de auto-expresão com os requisitos de produção de uma organização; as organizações que apresentam um alto grau de integração entre objetivos individuais e organizacionais são mais produtivos do que as outras e dessa forma ao invés de reprimir o desenvolvimento e o potencial do indivíduo, as organizações podem contribuir para sua melhoria.
A responsabilidade pela integração de objetivos organizacionais e pessoais recai sobre a alta administração. A interdependência entre as necessidades do indivíduo e da organização é imensa, seus objetivos estão unidos, em ambas as partes devem contribuir mutuamente para o balance de seus respectivos objetivos.
Barnard (1971) afirma que o indivíduo deve ser eficaz e ser eficiente ressaltando ainda que os conflitos entre os objetivos organizacionais e objetivos das pessoas são inevitáveis. As pessoas se juntam e formam organizações para através destas alcançarem seus objetivos individuais, os quais não seriam possíveis de ser alcançados sozinhos. Contudo, a relação organização versus pessoa, além de dinâmico é complexo. Sendo possível entender que os objetivos individuais são variáveis de acordo com a percepção de cada pessoa. Já os objetivos organizacionais resultam da vontade grupal da qual o indivíduo faz parte, independente de sua expectativa motivacional. A tendência de uma organização bem sucedida é crescer. Porém, a medida que crescem as organizações precisam de mais indivíduos para comporem a unidade produtiva.
E sendo assim os novos indivíduos vão perseguir objetivos individuais diferentes daqueles que formaram a organização originalmente. Esse fato faz com que os objetivos organizacionais se distanciem gradativamente dos objetivos individuais dos novos componentes, causando os conflitos organizacionais. Nessa perspectiva, nem sempre o relacionamento entre as pessoas e a organização é satisfatório e cooperativo, podendo descambar para a tensão e o conflito.
Segundo Chiavenato (2002) os conflitos organizacionais ocorrem quando, por exemplo: a redução de custos esbarra na expectativa de melhores salários; o aumento da lucratividade conflita com maiores benefícios social; a produtividade na conta com o esforço necessário dos operários; a coordenação perde a autonomia; a autoridade não é consentida; o que é bom para um nem sempre é bom para o outro, etc. Contudo Chiavenato (2002) enfatiza que é necessário um vigoroso processo de integração de objetivos, visando evitar a desmotivação e a conseqüente queda da produtividade que poderá levar a organização a um processo entrópico e, por fim, à morte e que a parcela maior de responsabilidade pela integração entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais recai sobre a organização.
Nesse sentido cabe então a organização estabelecer os meios, as políticas, os critérios e o mais necessário para proporcionar aos indivíduos o conhecimento pleno de suas possibilidades dentro da organização, cabendo-lhe a decisão final de fazer parte ou não da mesma. O que permite ressaltar a interação psicológica como basicamente um processo de reciprocidade. Onde a organização espera que o indivíduo colabore com a produção e o indivíduo espera que a organização se comporte justamente, seja através de remuneração adequada, seja através de um confortante clima organizacional proporcionado.
O provável é que as necessidades organizacionais e individuais são interdependentes. Um precisa do outro para alcançar seus objetivos, onde ambas as partes devem contribuir mutuamente para o alcance dos respectivos objetivos.
1 A IMPORTÂNCIA DE UM LÍDER NATO NA FORMAÇÃO DE EQUIPES
A formação de uma boa equipe que conquiste excelentes resultados tem sido uma busca cada vez mais freqüente em qualquer tipo de organização. A tradicional reunião de pessoas em busca de objetivos comuns, que, no passado, era chamada de equipe, hoje é entendida como sendo, na verdade, apenas agrupamentos, ou grupos. A verdadeira equipe é aquela que possui objetivos claros, sabe exatamente onde deve chegar, cresce enquanto equipe, mas que respeita e incentiva o crescimento de cada um dos seus componentes. Uma equipe pode realizar muito mais do que a simples soma de seus componentes e, no entanto, freqüentemente vêem-se grupos de pessoas produzindo muito menos do que poderiam realizar seus membros isoladamente.
A relevância de um bom líder na administração da equipe faz-se um fator essencial na execução de trabalho dos demais membros. O que afere serem as dificuldades que as empresas estão enfrentando por eleger líderes fracos e despreparados para conduzir grandes projetos e equipes. Para Drucker (1998, p.78), não há um conjunto de características que descreva o líder ideal. Mas, é necessário que esses líderes percebam suas dificuldades e fraquezas e assim modificar seu comportamento, para que não venha a gerar um grande círculo vicioso.
Segundo Drucker (2001, p.144), o que distingue o líder do mau líder são suas metas (…). A segunda exigência é que encare a liderança como responsabilidade. Na visão do autor, o líder que é visto como carismático nem sempre pode ser considerado bom líder, ressaltando assim a importância de que ele venha inspirar confiança e de possuir integridade em suas ações. A liderança estratégica dever criar uma visão positiva do futuro, que seja contagiante e envolvente, para que todos se sintam de alguma forma, mobilizados a fazer parte da comunidade que construirá a nova realidade. A visão deve nesse sentido inspirar a ação. Com base nas elucidações do autor, fica evidente que para ser um líder nato é preciso qualificar-se e aprender a liderar. Mas antes de tudo, ter a atitude de um líder. As oito atitudes essenciais de um bom líder são de acordo com Drucker:
1. Perguntar sobre as providências a serem necessariamente tomadas;
2. Buscar as coisas certas para a empresa;
3. Ter um plano de ação claro;
4. Não fugir das responsabilidades;
5. Ser um bom comunicador;
6. Ter foco em oportunidades, não em problemas;
7. Transformar as reuniões em acontecimentos produtivos;
8. Usar o pronome pessoal “nós” e evitar o “eu”.
Outro ponto essencialmente importante para a formação de um bom líder é a capacidade de motivar a equipe, sempre. Uma equipe bem motivada rende sempre muito mais do que uma equipe desmotivada. E para isso, não existe fórmula mágica, o líder deverá criar a capacidade de identificar como motivar sua equipe de uma forma consistente, para que essa produza sempre além das expectativas. Portanto, se deseja ser um líder deve se atentar para esses pontos e buscar crescimento e qualificação, sempre.
2 CONTRIBUIÇÕES DAS EQUIPES
Se utilizadas de forma adequada, as equipes podem ser tão eficazes a ponto de constituírem-se de acordo com Bateman (1998, p.381), em:
• Matéria - prima para a estrutura da organização – Grandes organizações são orientadas inteiramente em torno de equipes.
• Força para a produtividade – Com uma equipe que transmite a valorização do seu trabalho se faz possível, a propagação de grandes organizações em seu mercado afiliado e pedidos de serviços de uma forma gradativa.
• Força para a qualidade – Quando uma equipe trabalha em conjunto e com foco direcionado a empresa. O número de estratégias mal sucedidas é reduzido.
• Força para a redução de custos – A equipe quando trabalha com motivação e determinismo, tem seu tempo de produção reduzido e assim contribui para a demanda da empresa.
• Força para a rapidez – Com a equipe trabalhando de forma gradativa as empresas procuram investir em novas produções em vista no mercado ou até mesmo transformar suas organizações em um novo estilo de trabalho.
• Força para a mudança – Grandes organizações em conjunto com suas equipes, procuram transformar e desenvolver suas próprias variedades de produtos ou serviços.
• Força para a inovação – as organizações triplicam o número de novos produtos, por meio da utilização de suas equipes, por serem pequenos negócios empreendedores dentro da estrutura maior da corporação.
É perceptível que as organizações vêm utilizando equipes por muito tempo, mas como é visto atualmente houve uma gradual modificação nesse setor. As equipes passaram a ser totalmente integradas à estrutura organizacional e sua autoridade está em ascensão, em vista de sua vantagem competitiva e melhoras no desempenho da organização. A tendência atual é a direção de Equipes auto-administradas, em que as equipes têm autoridade para tomar decisões e os gerentes, em toda a empresa, podem tomar decisões de forma independente.
2.1 TIPOS DE EQUIPES
Um grupo que compreende objetivos em comum e estão engajadas em alcançá-los de forma compartilhada, e que sua comunicação é verdadeira, suas opiniões se divergem e ao mesmo tempo é estimulada, a confiança entre o grupo é grande e assumem-se riscos, pode ser caracterizado como equipe. Dessa forma, ressalta-se que uma verdadeira equipe está comprometida a trabalhar em conjunto com sucesso para atingir um alto desempenho. Pode haver vários grupos e equipes em uma organização. As equipes podem ser divididas em três tipos primários:
• Equipes de trabalho – fazem ou realizam coisas tais como, manufatura, montagem, vendas ou prestação de serviços. Esses são elementos típicos da estrutura organizacional formal. Essas equipes tradicionais estão ficando mais auto-administradas.
• Equipes de projeto e desenvolvimento - Trabalham em projetos em longo prazo, muitas vezes por um período de anos, tem tarefas especificas como pesquisar ou desenvolver um novo produto, desfazendo-se quando o trabalho está finalizado. Novas equipes são então formadas para novos projetos.
• Equipes paralelas – operam separadamente da estrutura regular de trabalho da empresa numa base temporária. Sua tarefa é recomendar soluções para problemas específicos. Os exemplos incluem forças-tarefas e equipes de qualidade ou segurança formadas para estudar um problema especifico que surgiu.
Cada exemplo que integra esses três tipos de equipes apresentadas, começa não passando de um grupo de trabalho com o potencial de tornar-se uma equipe. Os melhores se tornam verdadeiras equipes.
Também se destaca como tipos de equipes:
• Equipe Funcional - Um grupo organizado que se reporta a um único chefe e pode ou não ser obrigado a trabalhar em conjunto, para atingir os objetivos do grupo.
• Equipe multifuncional - Um grupo formado por membros provenientes de diferentes áreas de uma mesma organização, cujo tempo é em parte dedicado ao trabalho em equipe e, em grande parte, dedicados a outras responsabilidades funcionais.
• Equipe de ataque - Um grupo formado por membros provenientes de diferentes áreas de uma mesma organização, cujo tempo é totalmente dedicado ao trabalho em equipe.
• Equipe ad hoc ou força – tarefa - Um grupo temporariamente reunido, a fim de resolver determinado problema ou aproveitar determinada oportunidade.
• Comitê ou Comissão - Um grupo constituído em caráter permanente, que desenvolve e monitora determinada filosofia ou política de trabalho, ou ainda um conjunto de procedimentos.
As Vantagens das equipes:
• Melhor desempenho, a partir de uma base mais ampla de conhecimentos e experiências.
• Maior criatividade, perspectiva mais aberta e maior eficiência na abordagem aos problemas.
• A disposição para reagir às mudanças e correr riscos.
• A responsabilidade nas tarefas, compromisso em comum nos objetivos.
• A delegação mais eficiente das diversas tarefas.
• Um ambiente mais estimulante e motivador.
Os problemas nas equipes acontecem quando:
• Os objetivos são mal definidos ou conflitantes
• As pessoas não trabalham bem em conjunto
• A liderança consome tempo
• Há conflitos entre os membros, causados pelas várias emoções e reações humanas
• O trabalho em equipe diminui severamente a capacidade de produção de cada membro
• Se gasta mais tempo do que o necessário para o desenvolvimento do espírito de equipe
• Há demora no processo de decisão
• Há predomínio de um grupo ou facção dentro da equipe.
Sinais de Fracasso
• Falta de apoio gerencial
• Recursos insuficientes
• Liderança inadequada
• Objetivos mal entendidos ou conflitantes
• Concentração apenas nas tarefas, em detrimento do relacionamento interpessoal
• Membros da equipe que não assumem responsabilidade por si mesmos
• Inexistência do sentido de interdependência e de uma visão comum
• Sistemas de recompensa (ou remuneração) inadequados.
Como Planejar uma Equipe Produtiva
• Qualquer trabalho em equipe tende a seguir um padrão característico.
A Equipe:
• Esclarecerá e assumirá os objetivos ( conhecer e entender os propósitos)
• Concordará na abordagem do projeto ( Qual o grau de autonomia?)
• Desenvolverá um processo de execução das tarefas
• Treinará seus membros
• Executará o processo
• Avaliará e corrigirá o processo, conforme os resultados de medição e análise
• Desenvolverá forma de comunicação com todos os interessados.
• Não se pode colocar pessoas juntas e esperar resultados imediatos. O trabalho em equipe não acontece por mágica, ainda que os membros possuam habilidades extraordinárias.
3 COMO OS GRUPOS SE TRANSFORMAM EM EQUIPES
É importante entender primeiramente que quando se tem um número de pessoas reunidas por um objetivo maior, uma convocação, uma imposição, enfim, por um motivo, essa reunião de pessoas pode se transformar em um grupo de trabalho ou em uma equipe. O foco de um grupo de trabalho é bem diferente de uma equipe. Enquanto no grupo o foco é sempre nas metas e responsabilidades individuais, na equipe têm-se pessoas comprometidas com um propósito comum e com um conjunto de metas pelas quais todos os componentes se sentem mutuamente responsáveis. O produto do trabalho ou o resultado do esforço é sempre individual no caso de grupos de trabalho. Já as equipes geram produtos de trabalho coletivo. A palavra "equipe" originou-se do termo "esquif" que designava uma fila de barcos amarrados uns aos outros e puxados por homens ou cavalos, em época anterior às dos rebocadores. A imagem dos barqueiros ou cavalos puxando, juntos aos barcos amarrados, sugere a idéia de trabalho em equipe. (HERSEY, 1986, p.56). Contudo, o tipo de comando também é bem diferente um do outro. Os grupos necessitam de comando do tipo gerência já que para serem efetivos demandam uma chefia forte e claramente focada. Já as equipes combinam mais com um comando do tipo liderança, alguém que fará o papel de um facilitador do trabalho da equipe e coordenará a partilha dos papéis de liderança desempenhados pelos componentes. Os grupos se transformam em verdadeiras equipes por meio de atividades básicas grupais à medida que o tempo passa e por atividades de desenvolvimento em equipe. Entre elas:
• Formação: os membros do grupo tentam estipular a regra básica sobre os tipos de comportamento aceitáveis.
• Tumulto – surgem hostilidade e conflitos e as pessoas competem por posições de poder e status.
• Normatização – os membros do grupo concordam com suas metas partilhadas e as normas, juntamente com relações mais próximas se desenvolvem.
• Desempenho – o grupo canaliza suas energias para o desempenho de sua tarefa.
Os grupos que se deterioram passam para um estágio de declínio, e grupos temporários, acrescentam um estágio de intervalo ou de finalização.
3.1 POR QUE OS GRUPOS ÀS VEZES FRACASSAM
A equipe, muitas vezes é uma palavra utilizada pela administração para descrever o mero gesto de reunir pessoas. Essas equipes são postas em ação muitas vezes com pouco ou nenhum treinamento ou sistemas de apoio. Ressaltando que tanto os administradores quanto os membros dos grupos precisam de novas habilidades para que o grupo possa funcionar. Essas habilidades incluem a diplomacia, a capacidade de lidar com a cabeça no lugar com questões pessoais, e de se equilibrar na linha exígua que separa o encorajamento da autonomia da recompensa pelas inovações da equipe sem permitir que a equipe fique demasiadamente independente e fora de controle. A administração deve apoiar verdadeiramente as equipes, concedendo-lhes alguma liberdade e recompensando suas contribuições. O fracasso de um grupo reside em não saber nem fazer o que torna as equipes bem-sucedidas. Para ter sucesso, deve-se aplicar um pensamento claro e práticas adequadas.
4 FORMAÇÃO DE EQUIPES EFICAZES
Os administradores e os líderes de equipe precisam ser capazes de criar equipes eficazes. Uma equipe eficaz precisa ter um propósito comum que seja aspirado por todos os seus membros. Esse propósito, o qual é mais amplo do que qualquer objetivo específico, é uma visão. É ele que fornece a direção e o comprometimento para os membros da equipe. Sendo necessário para tanto o seguimento de oito comportamentos a seguir:
1. Avaliar os pontos fortes e fracos da equipe - Os membros da equipe possuem diferentes forças e fraquezas. O conhecimento dessas características ajuda o líder da equipe a ressaltar os pontos fortes, minimizando os fracos.
2. Desenvolver metas individuais específicas - As metas individuais ajudam os membros da equipe a ter um desempenho melhor. Além disso, metas específicas facilitam a comunicação e ajudam a manter o foco na obtenção de resultados.
3. Obter acordo quanto à abordagem para o alcance dos objetivos - Os objetivos são o fim que a equipe busca alcançar, e o acordo quanto a uma abordagem comum assegura que a equipe esteja unida em termos dos meios para se chegar a esse fim.
4. Estimular a assunção de responsabilidade pelo desempenho tanto individual como da equipe - Nas equipes bem-sucedidas, os membros são responsáveis, individual e coletivamente, pelo propósito, pelas metas e pela abordagem do grupo. De fato, seus membros compreendem o que é de sua responsabilidade individual e o que é de responsabilidade coletiva.
5. Criar um clima de confiança entre os membros - Quando existe confiança, as pessoas acreditam na integridade, no caráter e na capacidade umas das outras. Ao contrário, quando não existe confiança, as pessoas não conseguem depender umas da outras. As equipes que não possuem um clima interno de confiança são fadadas a durar pouco.
6. Manter um bom equilíbrio entre a capacidade e a personalidade dos membros da equipe - Cada membro da equipe possui habilidades e traços de personalidade diferentes. Para funcionar direito, uma equipe precisa de três tipos de habilidade. É necessário que exista a habilidade técnica e a habilidade de solução de problemas e de tomada de decisões, bem como a habilidade no trato interpessoal.
7. Oferecer o treinamento e os recursos necessários - Os líderes de equipe precisam se assegurar de que seus membros contam com o treinamento e os recursos necessários para atingir seus objetivos.
8. Criar oportunidades para pequenas realizações - A construção de uma equipe eficaz leva tempo. Seus membros precisam aprender a pensar e a trabalhar em equipe. É por isso que no início, quando nem sempre as equipes obtêm sucesso em seus empreendimentos, os membros devem ser estimulados a buscar pequenas conquistas.
Diante destes fatores é importante lembrar o aspecto mais importante, a motivação intrínseca. De que adianta as empresas e seus gestores criarem o ambiente, treinarem e manterem uma comunicação eficiente se os indivíduos não possuem objetivos próprios e determinação pessoal.
4.1 ENFOQUE NO DESEMPENHO DA EQUIPE
O elemento fundamental da equipe é de trabalho eficaz é o compromisso com um propósito comum. As melhores equipes são aquelas que receberam da administração um importante desafio de desempenho e chegaram a um entendimento e uma apreciação em comum de seu propósito. Sem esse entendimento e comprometimento, um grupo será apenas uma reunião de indivíduos. Com um propósito nítido, forte e motivador, as pessoas trabalharão juntas formando uma força poderosa que tem a oportunidade de alcançar realizações extraordinárias.
O propósito geral da equipe deve ser traduzido em metas específicas e mensuráveis de desempenho. Como as apresentadas a seguir
• O desempenho de uma equipe não se avalia; administra-se - Administrar desempenho é pilotar o comportamento dos subordinados pela análise constante das conseqüências de suas ações e decisões sobre a satisfação de seus clientes e sobre as metas almejadas, reforçando permanentemente seus conhecimentos e habilidades e atuando positivamente sobre suas atitudes. Não existem duas maneiras de se alcançar resultados com pessoas. A única é administrar os seus desempenhos. Sendo assim, o desempenho de uma equipe é função da capacidade de gestão do seu superior imediato. Ele deve obter o desempenho que almeja, capacitando-a, provendo recursos e facilidades, criando um contexto favorável e, se necessário, substituindo seus integrantes. Para tanto é necessário que o gestor acompanhe permanentemente sua equipe, efetuando revisões constantes em seus desempenhos. A quantidade de revisões influencia fortemente a probabilidade de sucesso nas metas e comportamentos almejados. Neste processo, a avaliação de desempenho, tão desejada por certas Organizações, não passa de uma etapa secundária que só tem sentido se vier coroar o êxito de um eficiente acompanhamento.
• Em que está focada a administração de desempenho - Administrar desempenho é, basicamente, uma questão de conduzir pessoas na direção de alvos que chamamos de "desempenhos almejados". Mede-se um desempenho pela discrepância entre o desempenho realmente atingido e o desempenho almejado. O indicador de medida de um desempenho deve traduzir os resultados, os padrões que se deseja manter e as realizações. Porém, de nada adianta atingir-se resultados ou implantar-se um projeto à custa de pressões sobre o comportamento das pessoas. Se o comportamento não for auto-sustentável, por motivação e comprometimento, irá demandar mais pressões para produzir desempenho. As pressões, após certo tempo, geram comportamentos de defesa (psicológica) que produzem indiferença, abalam a motivação e destroem o comprometimento das pessoas. As pressões fazem as pessoas trabalharem mais, não necessariamente melhor.
Portanto, um desempenho bem administrado, além de atingir as metas e as realizações, deve produzir uma reserva psicológica de capacidade, traduzida pela satisfação no trabalho, admiração pelos níveis superiores e honestidade de propósitos, que geram motivação e comprometimento para sustentar futuros resultados. Administrar desempenho não visa apenas atingir resultados, mas perpetuá-los ao longo do tempo.
5 CONCLUSÃO
Diante do explicito, fica evidente que para a excelência em Administração de equipes, faz necessário, antes de tudo, o reconhecimento profissional intrínseco do líder da equipe e ter a capacidade de motivar a equipe, sempre. Uma equipe bem motivada rende sempre muito mais do que uma equipe desmotivada. E para isso, não existe fórmula mágica, o líder deverá criar a capacidade de identificar como motivar sua equipe de uma forma consistente, para que essa produza sempre além das expectativas. E para a construção de uma equipe dedicada aos objetivos de crescimento da empresa é fundamental oportunizar a participação dos membros da equipe no processo de decisão para que haja mais mobilização e, conseqüentemente, maximização dos esforços individuais.
No ambiente de trabalho, muitas vezes, as equipes apresentam desentendimentos que entram a melhoria da qualidade, pois as palavras precisam estar significando o mesmo para todos para que ocorra a completa comunicação entre os mesmos. Também se faz necessário reconhecer o bom desempenho das equipes, motivando-as e estimulando seu desenvolvimento, assim como, conscientizar que todos os funcionários são essenciais para a realização dos propósitos em comum. Desta forma, fica claro que, primeiramente, deve-se tomar atitudes que revoguem a mentalidade individualista do trabalho, acarretando transformações em diversas áreas, quebrando paradigmas. Finalmente, o elemento central do trabalho em equipe é o comprometimento das pessoas. É a parceria que se forma entre os membros, facilitando o desenrolar não só de tarefas, mas também e, principalmente, da consciência de que se pode transformar a realidade e melhorar juntos em busca do sucesso.
REFERENCIAS
BATEMAN, Thomas S. Administração: Construindo vantagem competitiva/Thomas S, Bateman, Scott A. Snell. Tradução Celso A. Rimoli, revisão técnica José Ernesto Lima Gonçalves, Patrícia da Cunha Tavares. São Paulo: Atlas, 1998.
DRUCKER, Peter F. O melhor de Peter Drucker: o homem. Nobel, São Paulo, 2001.
DRUCKER, P.: A profissão de administrador. São Paulo: Pioneira, 1998.
HERSEY, Paul. Psicologia para administradores: A teoria e as técnicas de liderança situacional. [Tradução e revisão técnica: equipe CPB- Edelbino A. Royer]. São Paulo: EPU, 1986. Acesso em 06 de maio de 2009. Disponível em:
http://www.administradores.com.br/artigos/a_equipe_de_vendas_e_o_trabalho_em_grupo_lenda_ou_realidade/28863/.
A formação de uma boa equipe que conquiste excelentes resultados tem sido uma busca cada vez mais freqüente em qualquer tipo de organização. A tradicional reunião de pessoas em busca de objetivos comuns, que, no passado, era chamada de equipe, hoje é entendida como sendo, na verdade, apenas agrupamentos, ou grupos. A verdadeira equipe é aquela que possui objetivos claros, sabe exatamente onde deve chegar, cresce enquanto equipe, mas que respeita e incentiva o crescimento de cada um dos seus componentes. Uma equipe pode realizar muito mais do que a simples soma de seus componentes e, no entanto, freqüentemente vêem-se grupos de pessoas produzindo muito menos do que poderiam realizar seus membros isoladamente.
A relevância de um bom líder na administração da equipe faz-se um fator essencial na execução de trabalho dos demais membros. O que afere serem as dificuldades que as empresas estão enfrentando por eleger líderes fracos e despreparados para conduzir grandes projetos e equipes. Para Drucker (1998, p.78), não há um conjunto de características que descreva o líder ideal. Mas, é necessário que esses líderes percebam suas dificuldades e fraquezas e assim modificar seu comportamento, para que não venha a gerar um grande círculo vicioso.
Segundo Drucker (2001, p.144), o que distingue o líder do mau líder são suas metas (…). A segunda exigência é que encare a liderança como responsabilidade. Na visão do autor, o líder que é visto como carismático nem sempre pode ser considerado bom líder, ressaltando assim a importância de que ele venha inspirar confiança e de possuir integridade em suas ações. A liderança estratégica dever criar uma visão positiva do futuro, que seja contagiante e envolvente, para que todos se sintam de alguma forma, mobilizados a fazer parte da comunidade que construirá a nova realidade. A visão deve nesse sentido inspirar a ação. Com base nas elucidações do autor, fica evidente que para ser um líder nato é preciso qualificar-se e aprender a liderar. Mas antes de tudo, ter a atitude de um líder. As oito atitudes essenciais de um bom líder são de acordo com Drucker:
1. Perguntar sobre as providências a serem necessariamente tomadas;
2. Buscar as coisas certas para a empresa;
3. Ter um plano de ação claro;
4. Não fugir das responsabilidades;
5. Ser um bom comunicador;
6. Ter foco em oportunidades, não em problemas;
7. Transformar as reuniões em acontecimentos produtivos;
8. Usar o pronome pessoal “nós” e evitar o “eu”.
Outro ponto essencialmente importante para a formação de um bom líder é a capacidade de motivar a equipe, sempre. Uma equipe bem motivada rende sempre muito mais do que uma equipe desmotivada. E para isso, não existe fórmula mágica, o líder deverá criar a capacidade de identificar como motivar sua equipe de uma forma consistente, para que essa produza sempre além das expectativas. Portanto, se deseja ser um líder deve se atentar para esses pontos e buscar crescimento e qualificação, sempre.
2 CONTRIBUIÇÕES DAS EQUIPES
Se utilizadas de forma adequada, as equipes podem ser tão eficazes a ponto de constituírem-se de acordo com Bateman (1998, p.381), em:
• Matéria - prima para a estrutura da organização – Grandes organizações são orientadas inteiramente em torno de equipes.
• Força para a produtividade – Com uma equipe que transmite a valorização do seu trabalho se faz possível, a propagação de grandes organizações em seu mercado afiliado e pedidos de serviços de uma forma gradativa.
• Força para a qualidade – Quando uma equipe trabalha em conjunto e com foco direcionado a empresa. O número de estratégias mal sucedidas é reduzido.
• Força para a redução de custos – A equipe quando trabalha com motivação e determinismo, tem seu tempo de produção reduzido e assim contribui para a demanda da empresa.
• Força para a rapidez – Com a equipe trabalhando de forma gradativa as empresas procuram investir em novas produções em vista no mercado ou até mesmo transformar suas organizações em um novo estilo de trabalho.
• Força para a mudança – Grandes organizações em conjunto com suas equipes, procuram transformar e desenvolver suas próprias variedades de produtos ou serviços.
• Força para a inovação – as organizações triplicam o número de novos produtos, por meio da utilização de suas equipes, por serem pequenos negócios empreendedores dentro da estrutura maior da corporação.
É perceptível que as organizações vêm utilizando equipes por muito tempo, mas como é visto atualmente houve uma gradual modificação nesse setor. As equipes passaram a ser totalmente integradas à estrutura organizacional e sua autoridade está em ascensão, em vista de sua vantagem competitiva e melhoras no desempenho da organização. A tendência atual é a direção de Equipes auto-administradas, em que as equipes têm autoridade para tomar decisões e os gerentes, em toda a empresa, podem tomar decisões de forma independente.
2.1 TIPOS DE EQUIPES
Um grupo que compreende objetivos em comum e estão engajadas em alcançá-los de forma compartilhada, e que sua comunicação é verdadeira, suas opiniões se divergem e ao mesmo tempo é estimulada, a confiança entre o grupo é grande e assumem-se riscos, pode ser caracterizado como equipe. Dessa forma, ressalta-se que uma verdadeira equipe está comprometida a trabalhar em conjunto com sucesso para atingir um alto desempenho. Pode haver vários grupos e equipes em uma organização. As equipes podem ser divididas em três tipos primários:
• Equipes de trabalho – fazem ou realizam coisas tais como, manufatura, montagem, vendas ou prestação de serviços. Esses são elementos típicos da estrutura organizacional formal. Essas equipes tradicionais estão ficando mais auto-administradas.
• Equipes de projeto e desenvolvimento - Trabalham em projetos em longo prazo, muitas vezes por um período de anos, tem tarefas especificas como pesquisar ou desenvolver um novo produto, desfazendo-se quando o trabalho está finalizado. Novas equipes são então formadas para novos projetos.
• Equipes paralelas – operam separadamente da estrutura regular de trabalho da empresa numa base temporária. Sua tarefa é recomendar soluções para problemas específicos. Os exemplos incluem forças-tarefas e equipes de qualidade ou segurança formadas para estudar um problema especifico que surgiu.
Cada exemplo que integra esses três tipos de equipes apresentadas, começa não passando de um grupo de trabalho com o potencial de tornar-se uma equipe. Os melhores se tornam verdadeiras equipes.
Também se destaca como tipos de equipes:
• Equipe Funcional - Um grupo organizado que se reporta a um único chefe e pode ou não ser obrigado a trabalhar em conjunto, para atingir os objetivos do grupo.
• Equipe multifuncional - Um grupo formado por membros provenientes de diferentes áreas de uma mesma organização, cujo tempo é em parte dedicado ao trabalho em equipe e, em grande parte, dedicados a outras responsabilidades funcionais.
• Equipe de ataque - Um grupo formado por membros provenientes de diferentes áreas de uma mesma organização, cujo tempo é totalmente dedicado ao trabalho em equipe.
• Equipe ad hoc ou força – tarefa - Um grupo temporariamente reunido, a fim de resolver determinado problema ou aproveitar determinada oportunidade.
• Comitê ou Comissão - Um grupo constituído em caráter permanente, que desenvolve e monitora determinada filosofia ou política de trabalho, ou ainda um conjunto de procedimentos.
As Vantagens das equipes:
• Melhor desempenho, a partir de uma base mais ampla de conhecimentos e experiências.
• Maior criatividade, perspectiva mais aberta e maior eficiência na abordagem aos problemas.
• A disposição para reagir às mudanças e correr riscos.
• A responsabilidade nas tarefas, compromisso em comum nos objetivos.
• A delegação mais eficiente das diversas tarefas.
• Um ambiente mais estimulante e motivador.
Os problemas nas equipes acontecem quando:
• Os objetivos são mal definidos ou conflitantes
• As pessoas não trabalham bem em conjunto
• A liderança consome tempo
• Há conflitos entre os membros, causados pelas várias emoções e reações humanas
• O trabalho em equipe diminui severamente a capacidade de produção de cada membro
• Se gasta mais tempo do que o necessário para o desenvolvimento do espírito de equipe
• Há demora no processo de decisão
• Há predomínio de um grupo ou facção dentro da equipe.
Sinais de Fracasso
• Falta de apoio gerencial
• Recursos insuficientes
• Liderança inadequada
• Objetivos mal entendidos ou conflitantes
• Concentração apenas nas tarefas, em detrimento do relacionamento interpessoal
• Membros da equipe que não assumem responsabilidade por si mesmos
• Inexistência do sentido de interdependência e de uma visão comum
• Sistemas de recompensa (ou remuneração) inadequados.
Como Planejar uma Equipe Produtiva
• Qualquer trabalho em equipe tende a seguir um padrão característico.
A Equipe:
• Esclarecerá e assumirá os objetivos ( conhecer e entender os propósitos)
• Concordará na abordagem do projeto ( Qual o grau de autonomia?)
• Desenvolverá um processo de execução das tarefas
• Treinará seus membros
• Executará o processo
• Avaliará e corrigirá o processo, conforme os resultados de medição e análise
• Desenvolverá forma de comunicação com todos os interessados.
• Não se pode colocar pessoas juntas e esperar resultados imediatos. O trabalho em equipe não acontece por mágica, ainda que os membros possuam habilidades extraordinárias.
3 COMO OS GRUPOS SE TRANSFORMAM EM EQUIPES
É importante entender primeiramente que quando se tem um número de pessoas reunidas por um objetivo maior, uma convocação, uma imposição, enfim, por um motivo, essa reunião de pessoas pode se transformar em um grupo de trabalho ou em uma equipe. O foco de um grupo de trabalho é bem diferente de uma equipe. Enquanto no grupo o foco é sempre nas metas e responsabilidades individuais, na equipe têm-se pessoas comprometidas com um propósito comum e com um conjunto de metas pelas quais todos os componentes se sentem mutuamente responsáveis. O produto do trabalho ou o resultado do esforço é sempre individual no caso de grupos de trabalho. Já as equipes geram produtos de trabalho coletivo. A palavra "equipe" originou-se do termo "esquif" que designava uma fila de barcos amarrados uns aos outros e puxados por homens ou cavalos, em época anterior às dos rebocadores. A imagem dos barqueiros ou cavalos puxando, juntos aos barcos amarrados, sugere a idéia de trabalho em equipe. (HERSEY, 1986, p.56). Contudo, o tipo de comando também é bem diferente um do outro. Os grupos necessitam de comando do tipo gerência já que para serem efetivos demandam uma chefia forte e claramente focada. Já as equipes combinam mais com um comando do tipo liderança, alguém que fará o papel de um facilitador do trabalho da equipe e coordenará a partilha dos papéis de liderança desempenhados pelos componentes. Os grupos se transformam em verdadeiras equipes por meio de atividades básicas grupais à medida que o tempo passa e por atividades de desenvolvimento em equipe. Entre elas:
• Formação: os membros do grupo tentam estipular a regra básica sobre os tipos de comportamento aceitáveis.
• Tumulto – surgem hostilidade e conflitos e as pessoas competem por posições de poder e status.
• Normatização – os membros do grupo concordam com suas metas partilhadas e as normas, juntamente com relações mais próximas se desenvolvem.
• Desempenho – o grupo canaliza suas energias para o desempenho de sua tarefa.
Os grupos que se deterioram passam para um estágio de declínio, e grupos temporários, acrescentam um estágio de intervalo ou de finalização.
3.1 POR QUE OS GRUPOS ÀS VEZES FRACASSAM
A equipe, muitas vezes é uma palavra utilizada pela administração para descrever o mero gesto de reunir pessoas. Essas equipes são postas em ação muitas vezes com pouco ou nenhum treinamento ou sistemas de apoio. Ressaltando que tanto os administradores quanto os membros dos grupos precisam de novas habilidades para que o grupo possa funcionar. Essas habilidades incluem a diplomacia, a capacidade de lidar com a cabeça no lugar com questões pessoais, e de se equilibrar na linha exígua que separa o encorajamento da autonomia da recompensa pelas inovações da equipe sem permitir que a equipe fique demasiadamente independente e fora de controle. A administração deve apoiar verdadeiramente as equipes, concedendo-lhes alguma liberdade e recompensando suas contribuições. O fracasso de um grupo reside em não saber nem fazer o que torna as equipes bem-sucedidas. Para ter sucesso, deve-se aplicar um pensamento claro e práticas adequadas.
4 FORMAÇÃO DE EQUIPES EFICAZES
Os administradores e os líderes de equipe precisam ser capazes de criar equipes eficazes. Uma equipe eficaz precisa ter um propósito comum que seja aspirado por todos os seus membros. Esse propósito, o qual é mais amplo do que qualquer objetivo específico, é uma visão. É ele que fornece a direção e o comprometimento para os membros da equipe. Sendo necessário para tanto o seguimento de oito comportamentos a seguir:
1. Avaliar os pontos fortes e fracos da equipe - Os membros da equipe possuem diferentes forças e fraquezas. O conhecimento dessas características ajuda o líder da equipe a ressaltar os pontos fortes, minimizando os fracos.
2. Desenvolver metas individuais específicas - As metas individuais ajudam os membros da equipe a ter um desempenho melhor. Além disso, metas específicas facilitam a comunicação e ajudam a manter o foco na obtenção de resultados.
3. Obter acordo quanto à abordagem para o alcance dos objetivos - Os objetivos são o fim que a equipe busca alcançar, e o acordo quanto a uma abordagem comum assegura que a equipe esteja unida em termos dos meios para se chegar a esse fim.
4. Estimular a assunção de responsabilidade pelo desempenho tanto individual como da equipe - Nas equipes bem-sucedidas, os membros são responsáveis, individual e coletivamente, pelo propósito, pelas metas e pela abordagem do grupo. De fato, seus membros compreendem o que é de sua responsabilidade individual e o que é de responsabilidade coletiva.
5. Criar um clima de confiança entre os membros - Quando existe confiança, as pessoas acreditam na integridade, no caráter e na capacidade umas das outras. Ao contrário, quando não existe confiança, as pessoas não conseguem depender umas da outras. As equipes que não possuem um clima interno de confiança são fadadas a durar pouco.
6. Manter um bom equilíbrio entre a capacidade e a personalidade dos membros da equipe - Cada membro da equipe possui habilidades e traços de personalidade diferentes. Para funcionar direito, uma equipe precisa de três tipos de habilidade. É necessário que exista a habilidade técnica e a habilidade de solução de problemas e de tomada de decisões, bem como a habilidade no trato interpessoal.
7. Oferecer o treinamento e os recursos necessários - Os líderes de equipe precisam se assegurar de que seus membros contam com o treinamento e os recursos necessários para atingir seus objetivos.
8. Criar oportunidades para pequenas realizações - A construção de uma equipe eficaz leva tempo. Seus membros precisam aprender a pensar e a trabalhar em equipe. É por isso que no início, quando nem sempre as equipes obtêm sucesso em seus empreendimentos, os membros devem ser estimulados a buscar pequenas conquistas.
Diante destes fatores é importante lembrar o aspecto mais importante, a motivação intrínseca. De que adianta as empresas e seus gestores criarem o ambiente, treinarem e manterem uma comunicação eficiente se os indivíduos não possuem objetivos próprios e determinação pessoal.
4.1 ENFOQUE NO DESEMPENHO DA EQUIPE
O elemento fundamental da equipe é de trabalho eficaz é o compromisso com um propósito comum. As melhores equipes são aquelas que receberam da administração um importante desafio de desempenho e chegaram a um entendimento e uma apreciação em comum de seu propósito. Sem esse entendimento e comprometimento, um grupo será apenas uma reunião de indivíduos. Com um propósito nítido, forte e motivador, as pessoas trabalharão juntas formando uma força poderosa que tem a oportunidade de alcançar realizações extraordinárias.
O propósito geral da equipe deve ser traduzido em metas específicas e mensuráveis de desempenho. Como as apresentadas a seguir
• O desempenho de uma equipe não se avalia; administra-se - Administrar desempenho é pilotar o comportamento dos subordinados pela análise constante das conseqüências de suas ações e decisões sobre a satisfação de seus clientes e sobre as metas almejadas, reforçando permanentemente seus conhecimentos e habilidades e atuando positivamente sobre suas atitudes. Não existem duas maneiras de se alcançar resultados com pessoas. A única é administrar os seus desempenhos. Sendo assim, o desempenho de uma equipe é função da capacidade de gestão do seu superior imediato. Ele deve obter o desempenho que almeja, capacitando-a, provendo recursos e facilidades, criando um contexto favorável e, se necessário, substituindo seus integrantes. Para tanto é necessário que o gestor acompanhe permanentemente sua equipe, efetuando revisões constantes em seus desempenhos. A quantidade de revisões influencia fortemente a probabilidade de sucesso nas metas e comportamentos almejados. Neste processo, a avaliação de desempenho, tão desejada por certas Organizações, não passa de uma etapa secundária que só tem sentido se vier coroar o êxito de um eficiente acompanhamento.
• Em que está focada a administração de desempenho - Administrar desempenho é, basicamente, uma questão de conduzir pessoas na direção de alvos que chamamos de "desempenhos almejados". Mede-se um desempenho pela discrepância entre o desempenho realmente atingido e o desempenho almejado. O indicador de medida de um desempenho deve traduzir os resultados, os padrões que se deseja manter e as realizações. Porém, de nada adianta atingir-se resultados ou implantar-se um projeto à custa de pressões sobre o comportamento das pessoas. Se o comportamento não for auto-sustentável, por motivação e comprometimento, irá demandar mais pressões para produzir desempenho. As pressões, após certo tempo, geram comportamentos de defesa (psicológica) que produzem indiferença, abalam a motivação e destroem o comprometimento das pessoas. As pressões fazem as pessoas trabalharem mais, não necessariamente melhor.
Portanto, um desempenho bem administrado, além de atingir as metas e as realizações, deve produzir uma reserva psicológica de capacidade, traduzida pela satisfação no trabalho, admiração pelos níveis superiores e honestidade de propósitos, que geram motivação e comprometimento para sustentar futuros resultados. Administrar desempenho não visa apenas atingir resultados, mas perpetuá-los ao longo do tempo.
5 CONCLUSÃO
Diante do explicito, fica evidente que para a excelência em Administração de equipes, faz necessário, antes de tudo, o reconhecimento profissional intrínseco do líder da equipe e ter a capacidade de motivar a equipe, sempre. Uma equipe bem motivada rende sempre muito mais do que uma equipe desmotivada. E para isso, não existe fórmula mágica, o líder deverá criar a capacidade de identificar como motivar sua equipe de uma forma consistente, para que essa produza sempre além das expectativas. E para a construção de uma equipe dedicada aos objetivos de crescimento da empresa é fundamental oportunizar a participação dos membros da equipe no processo de decisão para que haja mais mobilização e, conseqüentemente, maximização dos esforços individuais.
No ambiente de trabalho, muitas vezes, as equipes apresentam desentendimentos que entram a melhoria da qualidade, pois as palavras precisam estar significando o mesmo para todos para que ocorra a completa comunicação entre os mesmos. Também se faz necessário reconhecer o bom desempenho das equipes, motivando-as e estimulando seu desenvolvimento, assim como, conscientizar que todos os funcionários são essenciais para a realização dos propósitos em comum. Desta forma, fica claro que, primeiramente, deve-se tomar atitudes que revoguem a mentalidade individualista do trabalho, acarretando transformações em diversas áreas, quebrando paradigmas. Finalmente, o elemento central do trabalho em equipe é o comprometimento das pessoas. É a parceria que se forma entre os membros, facilitando o desenrolar não só de tarefas, mas também e, principalmente, da consciência de que se pode transformar a realidade e melhorar juntos em busca do sucesso.
REFERENCIAS
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DRUCKER, Peter F. O melhor de Peter Drucker: o homem. Nobel, São Paulo, 2001.
DRUCKER, P.: A profissão de administrador. São Paulo: Pioneira, 1998.
HERSEY, Paul. Psicologia para administradores: A teoria e as técnicas de liderança situacional. [Tradução e revisão técnica: equipe CPB- Edelbino A. Royer]. São Paulo: EPU, 1986. Acesso em 06 de maio de 2009. Disponível em:
http://www.administradores.com.br/artigos/a_equipe_de_vendas_e_o_trabalho_em_grupo_lenda_ou_realidade/28863/.
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) pertence ao grupo dos retrovírus, como são chamados os vírus que têm seu material genético composto por ácido ribonucléico (RNA), e não ácido desoxirribonucléico (DNA), material genético mais comum nas células. Está incluído ainda na família dos lentivírus, que reúne os vírus causadores de doenças que demoram muito a se manifestar (têm grande período de latência). É um retrovírus não-citopático (não destrói as células em cultura no laboratório) e não-oncogênico (não causa câncer). Para multiplicar-se, precisa da enzima transcriptase reversa, que promove a transcrição de seu RNA, gerando uma cópia DNA que pode se integrar ao genoma do hospedeiro e provocar em seu sistema imunológico os efeitos danosos que caracterizam a AIDS. O HIV compartilha muitas propriedades morfológicas, biológicas e moleculares com outros lentivírus que afetam animais, incluindo o vírus visna, o vírus da encefalite-artrite caprina e vírus da anemia infecciosa eqüina. (MALBENGUIR, 2000, p. 15)
No início da década de 1980, o surgimento do vírus HIV/AIDS , ocasionou grande impacto em toda a sociedade. Na época a AIDS foi vista como uma doença que atingia apenas homens homossexuais, o que ocasionou uma gama de estigmas e preconceitos. Os primeiros casos notificados segundo Fonseca (2002) de pessoas atingidas pelo HIV/AIDS ocorreram no ano de 1982 e como em todos os países atingidos por essa infecção, no Brasil acreditava-se que as vítimas eram jovens homens homossexuais das classes alta e média alta, que possuíam condições financeiras para viajar pelos diversos países do mundo. O que disseminou o vírus ideológico do preconceito, da discriminação, do pânico e da exclusão social.
O medo da contaminação apenas prova que a população sabe da existência da AIDS, porém, desconhece suas formas de contágio. Rodrigues (1994) preconiza que no início da epidemia, o doente de AIDS muitas vezes via-se abandonado pela família, discriminado por colegas de trabalho e até rejeitado por profissionais de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde no Brasil, o governo iniciou a luta pelo combate à AIDS de forma tímida, pois justificava a letargia de suas ações para implementar programas de prevenção afirmando que existiam poucos casos para pesquisas caras, e que as vítimas da AIDS possuíam condições para custear o próprio tratamento.
Além do mais, o governo alertava que havia questões mais emergenciais, como as doenças endêmicas que existiam no país e que matavam mais do que a AIDS. Ressaltando que o forte conservadorismo que permeava o governo não permitiu que se dessem respostas a uma doença que atingia pessoas com comportamento tido como promíscuo. O que permitiu o alastramento da infecção entre a população que foi sucumbida entre o preconceito e o descaso do Governo.
9.2 A PROLIFERAÇÃO DA AIDS ENTRE OS IDOSOS
A AIDS exige dos governos desde a década de 80, competência para levar a mensagem do sexo seguro ao grupo aparentemente mais vulnerável. Mas, agora a doença avança sobre uma parcela da população fisicamente fragilizada e de abordagem mais complexa: os idosos. Com o aparecimento de medicamentos para disfunção erétil , como o Viagra, e de artifícios como as próteses penianas são apontados pelos especialistas como os fatores que contribuíram para esse quadro. E o que mais chama a atenção é o aumento da qualidade de vida dos idosos que conseqüentemente está relacionado à atividade sexual. De acordo com Ana Paola Vasconcelos:
No Brasil, de 1989 até junho de 2005, o Ministério da Saúde diagnosticou 7.776 casos de contaminação pelo HIV na população com 60 anos ou mais de idade. Em 1989 foram registrados 113 novos casos; no ano seguinte, foram 157. Dez anos depois, em 1999, foram diagnosticados novos 571; culminando com 894 novos pacientes em 2004. O número de casos confirmados de AIDS com idade acima de 50 anos cresce no Brasil como em nenhuma outra faixa etária. Entre os homens, a expansão foi de 98% na última década. Sobre a parcela feminina idosa, a epidemia avança como um rolo compressor: houve um crescimento de 567% entre 1991 e 2001. (Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2007, pg. 15)
Mas há várias explicações para esse número gradativo de contaminação pelo HIV/AIDS entre os idosos. O primeiro segundo Freihat (2003) é o incremento da vida sexual dos mais velhos favorecidos pelos remédios contra impotência . Depois, há o aumento da expectativa e da qualidade de vida proporcionado principalmente por medicamentos com menos efeitos colaterais. Ou seja. Com mais vigor, os idosos passam a se divertirem e se relacionarem de uma forma bem mais satisfatória entre eles. O que configura uma situação de risco.
Pela falta de conhecimento ou até mesmo noção da gravidade, o sexo entre essa população é praticado sem proteção, homens e mulheres com mais de 60 anos, tem a percepção de que não correm risco de serem infectados. Isso pode ser explicado devido à geração que vieram, pois cresceram sem os holofotes da disseminação da AIDS e por isso vivem como se fossem imunes ao vírus.
O crescimento de casos de idosos portadores do HIV coloca um grande desafio à medicina e aos governos. Isso porque algumas peculiaridades precisam ser consideradas no que diz respeito ao tratamento e às políticas de prevenção. Como impedir a proliferação da AIDS nessa população e como encontrar o melhor tratamento que leve em conta as limitações físicas dos idosos são questionamentos ao qual a medicina corre atrás das respostas enquanto aplica os recursos de que dispõe.
Atualmente o coquetel de drogas anti-retrovirais, que atacam o vírus, é a conduta-padrão de terapia. O problema é que uma pessoa mais velha em geral já é portadora de doenças como diabete e distúrbios cardiovasculares , enfermidades que podem ser agravadas pelo uso dos medicamentos contra a AIDS. Por isso, é preciso escolher aqueles que apresentam menor risco de complicações.
Outro desafio é identificar a doença rapidamente. Como se trata de um cenário novo, os profissionais de saúde não estão habituados a pensar em AIDS como uma possibilidade de diagnóstico. O resultado é que não são poucos os casos de pneumonias e diarréias tratadas como sintomas de qualquer outro problema, menos a AIDS. A mesma coisa ocorre com a demência, sinal de males típicos do envelhecimento, como o mal de Alzheimer , mas também com chance de acontecer com soropositivos .
10 GRUPO DE CONVIVÊNCIA PARA IDOSOS: RISCO OU DESCONTRAÇÃO ?
Hoje a inserção de idosos em grupos de convivência tem aumentado significativamente, na medida em que há acréscimo de indivíduos com 60 anos de idade ou mais. A imagem de uma velhice monótona, sofrida e estereotipada perde aos poucos sua força, a partir do momento em que os indivíduos passam a freqüentar espaços sociais, adquirem conhecimentos e compartilham seus saberes.
A possibilidade de conhecer novas pessoas, construir novas amizades, realizar atividades e exercícios físicos, divertir-se, entre outros, são motivos apontados pelos idosos para que passem a freqüentar um grupo de terceira idade. Enfim, diversas são as vantagens de estar inserido em determinado grupo. Entre elas, destaca-se a possibilidade de que os idosos voltem a construir laços afetivos. Isto ocorre principalmente entre os participantes de grupos cuja finalidade, além da socialização, é dançar.
Veras (1994) ressalta que a partir da concepção de que a terceira idade é uma etapa de independência, maturidade e tempo de usufruir, atribuições ligadas ao dinamismo, a atividade ao lazer, os idosos passam a invadir progressivamente os espaços públicos, criando estratégias de sociabilidade que lhes permitem tecer novas relações sociais e fugir do isolamento.
Nesses espaços conforme destaca a Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2007) muitos dos idosos começam um novo relacionamento, passam a namorar e alguns realizam contrato nupcial. Essa situação pode ser considerada favorável para o conjunto de pessoas que freqüentam tal atividade, particularmente no que diz respeito ao exercício da sua sexualidade. Contudo, deve-se estar atento, uma vez que essa condição possibilita contato mais intimo, e se não forem observadas as medidas de precaução, poderá ocorrer a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e o vírus da imunodeficiência adquirida, de uma pessoa para a outra.
Cabe lembrar que, no geral, especialmente as mulheres, o cuidado em relação ao sexo seguro vincula-se à possibilidade de uma gravidez, mas na velhice essa situação deixa de ocorrer. A partir desta concepção, na velhice parece haver maior liberação para o exercício da sexualidade sem quaisquer restrições em termos de prevenção, uma vez que os aspectos relativos às DSTs e HIV/AIDS podem não constituir preocupação para essa parcela da população.
11 PROFISSIONAL DA SAÚDE E A AIDS NA TERCEIRA IDADE
A prática em saúde de acordo com Saldanha (2003) tem acompanhado a perspectiva vigente, acentuando, de certa forma, a discrepância entre o conhecimento científico e as demandas psicossociais exigidas pelo atendimento aos idosos portadores de HIV, requerendo dos profissionais uma postura mais voltada ao aspecto afetivo das relações, colocando-os frente a suas próprias limitações diante de uma realidade fragmentada. Alves (2002) ressalta nesse sentido que:
A AIDS trouxe consigo a necessidade de reformular a estrutura no atendimento em saúde já estabelecida, impondo a necessidade de atenção ao paciente como um todo e não apenas a um órgão doente. Trouxe também a demanda de lidar com questões afetivas e sociais, antes relegadas a segundo plano, fazendo emergir o despreparo e a desorientação que envolve os profissionais de saúde no trato psicossocial da doença, enquanto o tratamento clínico é favorecido por constantes descobertas. (ALVES, 2002, p. 51)
Dessa forma, a cronicidade da AIDS coloca os serviços de saúde, representada pelos profissionais que lidam diretamente com a doença, num patamar extremamente importante, não só para garantir a adesão dos pacientes, mas para que se tornem um elo entre o paciente, a doença e o tratamento. Nesse sentido, torna-se relevante compreender a problemática que envolve os serviços de atendimento à AIDS na terceira idade. Essa tarefa se faz tão importante quanto os fenômenos de prevenção primária, contribuindo com o processo e exercício da cidadania no âmbito da saúde.
11.1 PREVENÇÃO DO HIV NA TERCEIRA IDADE
E nesse contexto reascende a questão que em uma sociedade onde não é estimulado o diálogo aberto, é complicado incutir uma motivação para a adesão a estratégias preventivas e orientação para práticas que diminuam a vulnerabilidade dos idosos com HIV e nesta perspectiva se valoriza a elaboração de programas visando informar, sensibilizar e educar em todos os contextos sociais e etários, assim como se sugere o estímulo a cursos de capacitação para profissionais de saúde e integrantes das redes de atenção básica, objetivando um atendimento mais qualificado.
A presença de tais profissionais poderia possibilitar a sistematização de tarefas, evitando hospitalizações, asilamento e outras formas de segregação, que implica graves prejuízos para os idosos, que, além de conviver com aspectos inerentes à velhice, enfrenta as vicissitudes de ser portador do HIV/AIDS. Entretanto a desinformação sobre os riscos do HIV tem como conseqüência a vida sexual ativa sem proteção o que contraria o mito existente a alguns anos, de que idosos não praticam sexo (GALVÃO, 2001).
Contudo a prevenção tem se configurado como um problema para os programas de controle do HIV/AIDS desde o início da epidemia. Essa questão era decorrente da falta de conhecimento acerca da doença. Mesmo esse quadro tendo sofrido substanciais alterações, devido às descobertas feitas da ação do vírus e do progresso obtido no tratamento da doença com a terapia antiretroviral, as medidas preventivas desenvolvidas não são suficiente para diminuir os determinantes da vulnerabilidade ao HIV/AIDS.
Conforme preceitua Fonseca (2002) a crença inicial de que o HIV/AIDS estaria voltado apenas a determinados “grupos de risco” ainda continua sendo um obstáculo para a prevenção em diversos segmentos populacionais como os idosos, de forma que as atuais políticas de prevenção, em geral, estão voltadas de forma substancial para o público adolescente. Contudo, adultos e idosos também apresentam uma sexualidade ativa para serem simplesmente descartados das políticas de prevenção, cuja função é informar, sensibilizar e educar em todos os contextos sociais e etários. As políticas preventivas, segundo Deluiz (1995), estão geralmente voltadas para as populações consideradas de risco.
No entanto é preciso uma ação educativa por meio de campanhas mais acessíveis e adequadas às realidades locais em que os idosos estão inseridos, com o intuito de apresentarem uma maior efetividade nos seus resultados.
Em 2008, por exemplo, o Ministério da Saúde, lançou uma campanha, sobretudo voltado para homens e mulheres com idade superior a 50 anos, cujo tema era “Sexo não tem idade. Proteção também não”. Até o momento, de acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS) apresenta-se como a campanha de maior repercussão para os indivíduos com mais de 50 anos no Brasil, contribuindo para o aumento da visibilidade do tema e medidas preventivas.
Nesse sentido percebe-se que as estratégias de prevenção para o HIV/AIDS, devem considerar a necessidade de criação de espaços nos quais sejam possibilitadas discussões e reflexões, que facilitem o esclarecimento de crenças e percepções que ainda fazem parte do imaginário social, e que possam orientar envolvimentos afetivos, para não serem percebidos como relacionamentos imunes, sendo dispensado o uso de medidas preventivas.
Os grupos de convivência da terceira idade podem configurar-se como importantes lócus para o desenvolvimento destas estratégias, de forma que a inserção da temática AIDS nestes grupos pode possibilitar, aos seus participantes rever, de forma compartilhada, seus papéis e expectativas, visando o auxílio na prevenção ou na construção de uma convivência mais positiva com esta síndrome (FIGUEIREDO, 1994).
Dessa forma, o problema da prevenção é bem mais complexo do que escolher o público-alvo de uma campanha ou designar a forma de repassar a informação. Os agentes comunitários, e demais integrantes que atuam na atenção primária a saúde também apresentam representações permeadas por estigmas e preconceitos, sendo igualmente sugerido para estes o estímulo a cursos de capacitação e espaços de discussão sobre temas recorrentes nas suas atividades.
É importante ressaltar que com estas sugestões a profissionais e agentes não se está desestimulando a elaboração de estratégias voltadas para os idosos, mas se está sugerindo que se forem ampliadas as medidas visando à prevenção, resultados mais efetivos tendem surgir.
Por fim, além destas estratégias secundárias e da elaboração de políticas, propõe-se como medida preventiva, agora diretamente aos idosos, uma alternativa ao preservativo masculino, que, como já foi enumerado, carrega consigo certa resistência. Tal alternativa é o preservativo feminino, que de acordo com os estudos de Parker (2000) neutraliza os argumentos de perda da sensibilidade e receio de perder a ereção tão enfatizada pelos homens, apresentando a mesma eficácia no controle à transmissão das DSTs.
11.2 A REALIZAÇÃO DO TRATAMENTO
De acordo com o médico Infectologista Jean Carlo Gorinchteyn em uma entrevista na revista Prática Hospitalar (2005):
O tratamento de idosos com HIV/AIDS é, absolutamente, semelhante àquele instituído aos pacientes de outras faixas etárias, exceto a faixa etária pediátrica, onde algumas drogas não são utilizadas. A escolha da terapêutica anti-retroviral deverá considerar as condições clínicas, imunológicas e virológicas do paciente por ocasião do diagnóstico, assim como considerar a presença de co-morbidades, sejam estas oportunistas ou não, como diabetes, dislipidemias, hipertensão arterial, etc., visando, assim, reduzir os riscos de agravo de doenças preexistentes, além de obter de forma mais precoce a reconstituição imunológica.(Revista prática hospitalar, março/abril, 2005)
O que torna evidente um tratamento com atendimento pormenorizado, respeitando-se não só suas limitações físicas, como necessidades individuais, preocupando-se, inclusive, com suporte psicológico e social. A abordagem multidisciplinar é de fundamental importância, devendo-se ter retornos clínicos e exames laboratoriais periódicos, com intervalos mais curtos. A avaliação psicológica, da assistente social e nutricional é, igualmente, importante para detectar eventuais condições que comprometam o sucesso do tratamento instituído.
Muitos dos pacientes ao descobrirem que são portadores do vírus, já estão com o organismo debilitado, em conseqüência de distúrbios comuns ao processo de envelhecimento. A maioria fica sabendo da doença ao realizar algum exame solicitado pelo médico por causa de outro problema de saúde. E mesmo que pela descoberta de ser um soropositivo seja um fator de surpresa para a maioria dos idosos, muitos deles vêem a AIDS como uma doença a mais na vida.
12 O COMPORTAMENTO DO IDOSO APÓS DIAGNÓSTICO DA AIDS
O impacto da notícia do diagnóstico positivo, desperta reações e sentimentos desestruturantes, como angústia, medo, desorientação e culpa. A busca por tratamentos médicos e auto-cuidado tornam-se meios de enfrentamento. A necessidade de silenciar-se em relação à sorologia positiva se faz presente no intuito de afastar o preconceito e a discriminação. A AIDS e a condição de soropositivo para o HIV são incorporadas à vida destas pessoas de maneiras polarizadas: para uns é vista como mais um aspecto a ser vivenciado, não interferindo no modo de vida anterior ao diagnóstico, enquanto que para outros a soropositividade torna-se um incômodo constante e conviver com ela passa a requerer muito esforço. A despeito de mitos e crenças sobre a sexualidade do idoso, os resultados encontrados nos coloca frente a uma realidade que não pode ser ignorada, exigindo um novo dimensionamento para a concepção de futuros programas destinada à orientação e suporte a pessoas de terceira idade. (PROVINCIALI, Dissertação, 2006)
Conseqüentemente o idoso ao se deparar com a doença tende isolar-se dos familiares e amigos. Isso quando não escondem o diagnóstico da família, dos vizinhos e dos chefes. O que traz preocupação aos mais próximos já que o idoso entra em estado de depressão e geralmente culmina em morte súbita por falta de maiores cuidados. A necessidade de silenciar sobre o contágio por HIV se apresenta no intuito de afastar a discriminação (CAPODIECE, 2000).
As dificuldades apontadas pelos idosos no viver com HIV não se restringiram a limitações físicas, necessidade de acompanhamento clínico ou uso contínuo de medicamentos e suas eventuais conseqüências. Apontaram também para sentimentos de solidão, isolamento e receio de discriminação na família e no serviço de saúde.
Segundo Figueiredo (1994) a identificação de particularidades nos aspectos psicossociais do viver com HIV/AIDS na terceira idade pode ser útil para subsidiar políticas públicas de cuidado a essa população nos serviços especializados, além de permitir a inclusão de abordagens preventivas nas ações que integram a atenção à saúde do idoso.
Contudo a AIDS trouxe à tona, de maneira nova e assustadora, os fantasmas construídos no imaginário social sobre a sexualidade e a morte, o desfiguramento e o enfraquecimento físico, a vulnerabilidade e o risco visto na cara do outro. Assim, o estigma, a dor da própria enfermidade e a dor dos olhos dos outros, o medo da rejeição, principalmente no ambiente de trabalho, e o sofrimento causado pelo preconceito e pela possibilidade de ser discriminado passam a afetar, de forma contundente, os idosos com o HIV.
Sentimentos de ansiedade, perseguição e dúvida podem vir a constituir fontes estressoras no seu cotidiano. Vale ressaltar que após o impacto sofrido pelo diagnóstico de HIV segue a necessidade de reestruturação e manutenção da vida em seus vários papéis. ZAMLUTTI (1996) ressalta que:
[...] para alguns dos idosos com HIV, parece não ter havido mudanças drásticas no estilo de vida. A condição de soropositivo é incorporada como mais um aspecto a ser vivenciado, não interferindo no modo de vida anterior ao diagnóstico. Para outros, a AIDS desperta sentimentos vividos intensamente, acarretando grandes alterações, principalmente a nível emociona/psicológico, tornando-se um incômodo constante. Sentimentos ambivalentes de tristeza, desorientação e desânimo, por um lado e tranqüilidade, por outro, surgem como características do modo de encarar o dia a dia. E, neste sentido, conviver com a soropositividade passa a requerer muito esforço. (ZAMLUTTI, 1996, p. 25)
O convívio com HIV/AIDS tornar-se mais complexo quando não se pode mais negar a doença, pois os primeiros sintomas começam a aparecer e a pessoa torna-se mais debilitada, mais magra e com a saúde mais frágil. Os momentos angustiantes e depressivos são mais intensos do que os vividos no período assintomático da AIDS. Apesar de tudo, o desejo de viver e de aproveitar a vida prevalece, em alguns momentos, onde ainda são preservados, originando sentimentos de esperança.
Dessa forma, por não estarem articulados em grupos de auto-ajuda e nem dispor de ambulatórios especializados em lidar com a complexa experiência de envelhecer com AIDS, o idoso não tem com quem dividir inseguranças e abominam ser alvo de discriminação. O preconceito, em muitos casos, brota de dentro para fora e os impede de falar a verdade.
13 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por intermédio do estudo realizado observa-se que para minimizar a incidência da infecção do vírus HIV/AIDS nos idosos, faz necessária uma comoção por parte dos profissionais da saúde em se envolver e sensibilizar-se como agentes multiplicadores, pois eles têm acesso direto a uma porcentagem considerável da população idosa e, além disso, possuem um papel importantíssimo de ensinar através do desenvolvimento de valores, de idéias e conteúdos.
E antes de tudo vencer a desinformação, o preconceito e a discriminação que envolve o portador do vírus HIV/AIDS. Bem como fazer com que o idoso soropositivo ou não perceber a sexualidade como elemento presente no processo de educação e empreendimento que conduz a uma reconstrução dos valores éticos e morais dos seres humanos. Essa postura deve ser exercitada diariamente e não apenas um assunto aprendido. É fundamental incluir os idosos em programas de prevenção.
No entanto a presença da família é fundamental para que os idosos possam enfim vencer não somente o preconceito social e familiar, mas também o preconceito que muitos deles passam a ter de si mesmo, com receio de serem discriminados.
Através da pesquisa realizada, evidenciou-se a necessidade de um acompanhamento da equipe de profissionais da saúde juntamente com a família para a inserção dos mesmos à sociedade de forma que não se sintam denegridos pela afecção da doença e dessa forma possam viver seus dias sem preconceitos consigo mesmo.
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRASIL. Ministério da Saúde. Curso Básico de Vigilância Epidemiológica em HIV e AIDS. Brasília: Programa Nacional de DST e AIDS; 2005.
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No início da década de 1980, o surgimento do vírus HIV/AIDS , ocasionou grande impacto em toda a sociedade. Na época a AIDS foi vista como uma doença que atingia apenas homens homossexuais, o que ocasionou uma gama de estigmas e preconceitos. Os primeiros casos notificados segundo Fonseca (2002) de pessoas atingidas pelo HIV/AIDS ocorreram no ano de 1982 e como em todos os países atingidos por essa infecção, no Brasil acreditava-se que as vítimas eram jovens homens homossexuais das classes alta e média alta, que possuíam condições financeiras para viajar pelos diversos países do mundo. O que disseminou o vírus ideológico do preconceito, da discriminação, do pânico e da exclusão social.
O medo da contaminação apenas prova que a população sabe da existência da AIDS, porém, desconhece suas formas de contágio. Rodrigues (1994) preconiza que no início da epidemia, o doente de AIDS muitas vezes via-se abandonado pela família, discriminado por colegas de trabalho e até rejeitado por profissionais de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde no Brasil, o governo iniciou a luta pelo combate à AIDS de forma tímida, pois justificava a letargia de suas ações para implementar programas de prevenção afirmando que existiam poucos casos para pesquisas caras, e que as vítimas da AIDS possuíam condições para custear o próprio tratamento.
Além do mais, o governo alertava que havia questões mais emergenciais, como as doenças endêmicas que existiam no país e que matavam mais do que a AIDS. Ressaltando que o forte conservadorismo que permeava o governo não permitiu que se dessem respostas a uma doença que atingia pessoas com comportamento tido como promíscuo. O que permitiu o alastramento da infecção entre a população que foi sucumbida entre o preconceito e o descaso do Governo.
9.2 A PROLIFERAÇÃO DA AIDS ENTRE OS IDOSOS
A AIDS exige dos governos desde a década de 80, competência para levar a mensagem do sexo seguro ao grupo aparentemente mais vulnerável. Mas, agora a doença avança sobre uma parcela da população fisicamente fragilizada e de abordagem mais complexa: os idosos. Com o aparecimento de medicamentos para disfunção erétil , como o Viagra, e de artifícios como as próteses penianas são apontados pelos especialistas como os fatores que contribuíram para esse quadro. E o que mais chama a atenção é o aumento da qualidade de vida dos idosos que conseqüentemente está relacionado à atividade sexual. De acordo com Ana Paola Vasconcelos:
No Brasil, de 1989 até junho de 2005, o Ministério da Saúde diagnosticou 7.776 casos de contaminação pelo HIV na população com 60 anos ou mais de idade. Em 1989 foram registrados 113 novos casos; no ano seguinte, foram 157. Dez anos depois, em 1999, foram diagnosticados novos 571; culminando com 894 novos pacientes em 2004. O número de casos confirmados de AIDS com idade acima de 50 anos cresce no Brasil como em nenhuma outra faixa etária. Entre os homens, a expansão foi de 98% na última década. Sobre a parcela feminina idosa, a epidemia avança como um rolo compressor: houve um crescimento de 567% entre 1991 e 2001. (Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2007, pg. 15)
Mas há várias explicações para esse número gradativo de contaminação pelo HIV/AIDS entre os idosos. O primeiro segundo Freihat (2003) é o incremento da vida sexual dos mais velhos favorecidos pelos remédios contra impotência . Depois, há o aumento da expectativa e da qualidade de vida proporcionado principalmente por medicamentos com menos efeitos colaterais. Ou seja. Com mais vigor, os idosos passam a se divertirem e se relacionarem de uma forma bem mais satisfatória entre eles. O que configura uma situação de risco.
Pela falta de conhecimento ou até mesmo noção da gravidade, o sexo entre essa população é praticado sem proteção, homens e mulheres com mais de 60 anos, tem a percepção de que não correm risco de serem infectados. Isso pode ser explicado devido à geração que vieram, pois cresceram sem os holofotes da disseminação da AIDS e por isso vivem como se fossem imunes ao vírus.
O crescimento de casos de idosos portadores do HIV coloca um grande desafio à medicina e aos governos. Isso porque algumas peculiaridades precisam ser consideradas no que diz respeito ao tratamento e às políticas de prevenção. Como impedir a proliferação da AIDS nessa população e como encontrar o melhor tratamento que leve em conta as limitações físicas dos idosos são questionamentos ao qual a medicina corre atrás das respostas enquanto aplica os recursos de que dispõe.
Atualmente o coquetel de drogas anti-retrovirais, que atacam o vírus, é a conduta-padrão de terapia. O problema é que uma pessoa mais velha em geral já é portadora de doenças como diabete e distúrbios cardiovasculares , enfermidades que podem ser agravadas pelo uso dos medicamentos contra a AIDS. Por isso, é preciso escolher aqueles que apresentam menor risco de complicações.
Outro desafio é identificar a doença rapidamente. Como se trata de um cenário novo, os profissionais de saúde não estão habituados a pensar em AIDS como uma possibilidade de diagnóstico. O resultado é que não são poucos os casos de pneumonias e diarréias tratadas como sintomas de qualquer outro problema, menos a AIDS. A mesma coisa ocorre com a demência, sinal de males típicos do envelhecimento, como o mal de Alzheimer , mas também com chance de acontecer com soropositivos .
10 GRUPO DE CONVIVÊNCIA PARA IDOSOS: RISCO OU DESCONTRAÇÃO ?
Hoje a inserção de idosos em grupos de convivência tem aumentado significativamente, na medida em que há acréscimo de indivíduos com 60 anos de idade ou mais. A imagem de uma velhice monótona, sofrida e estereotipada perde aos poucos sua força, a partir do momento em que os indivíduos passam a freqüentar espaços sociais, adquirem conhecimentos e compartilham seus saberes.
A possibilidade de conhecer novas pessoas, construir novas amizades, realizar atividades e exercícios físicos, divertir-se, entre outros, são motivos apontados pelos idosos para que passem a freqüentar um grupo de terceira idade. Enfim, diversas são as vantagens de estar inserido em determinado grupo. Entre elas, destaca-se a possibilidade de que os idosos voltem a construir laços afetivos. Isto ocorre principalmente entre os participantes de grupos cuja finalidade, além da socialização, é dançar.
Veras (1994) ressalta que a partir da concepção de que a terceira idade é uma etapa de independência, maturidade e tempo de usufruir, atribuições ligadas ao dinamismo, a atividade ao lazer, os idosos passam a invadir progressivamente os espaços públicos, criando estratégias de sociabilidade que lhes permitem tecer novas relações sociais e fugir do isolamento.
Nesses espaços conforme destaca a Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2007) muitos dos idosos começam um novo relacionamento, passam a namorar e alguns realizam contrato nupcial. Essa situação pode ser considerada favorável para o conjunto de pessoas que freqüentam tal atividade, particularmente no que diz respeito ao exercício da sua sexualidade. Contudo, deve-se estar atento, uma vez que essa condição possibilita contato mais intimo, e se não forem observadas as medidas de precaução, poderá ocorrer a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e o vírus da imunodeficiência adquirida, de uma pessoa para a outra.
Cabe lembrar que, no geral, especialmente as mulheres, o cuidado em relação ao sexo seguro vincula-se à possibilidade de uma gravidez, mas na velhice essa situação deixa de ocorrer. A partir desta concepção, na velhice parece haver maior liberação para o exercício da sexualidade sem quaisquer restrições em termos de prevenção, uma vez que os aspectos relativos às DSTs e HIV/AIDS podem não constituir preocupação para essa parcela da população.
11 PROFISSIONAL DA SAÚDE E A AIDS NA TERCEIRA IDADE
A prática em saúde de acordo com Saldanha (2003) tem acompanhado a perspectiva vigente, acentuando, de certa forma, a discrepância entre o conhecimento científico e as demandas psicossociais exigidas pelo atendimento aos idosos portadores de HIV, requerendo dos profissionais uma postura mais voltada ao aspecto afetivo das relações, colocando-os frente a suas próprias limitações diante de uma realidade fragmentada. Alves (2002) ressalta nesse sentido que:
A AIDS trouxe consigo a necessidade de reformular a estrutura no atendimento em saúde já estabelecida, impondo a necessidade de atenção ao paciente como um todo e não apenas a um órgão doente. Trouxe também a demanda de lidar com questões afetivas e sociais, antes relegadas a segundo plano, fazendo emergir o despreparo e a desorientação que envolve os profissionais de saúde no trato psicossocial da doença, enquanto o tratamento clínico é favorecido por constantes descobertas. (ALVES, 2002, p. 51)
Dessa forma, a cronicidade da AIDS coloca os serviços de saúde, representada pelos profissionais que lidam diretamente com a doença, num patamar extremamente importante, não só para garantir a adesão dos pacientes, mas para que se tornem um elo entre o paciente, a doença e o tratamento. Nesse sentido, torna-se relevante compreender a problemática que envolve os serviços de atendimento à AIDS na terceira idade. Essa tarefa se faz tão importante quanto os fenômenos de prevenção primária, contribuindo com o processo e exercício da cidadania no âmbito da saúde.
11.1 PREVENÇÃO DO HIV NA TERCEIRA IDADE
E nesse contexto reascende a questão que em uma sociedade onde não é estimulado o diálogo aberto, é complicado incutir uma motivação para a adesão a estratégias preventivas e orientação para práticas que diminuam a vulnerabilidade dos idosos com HIV e nesta perspectiva se valoriza a elaboração de programas visando informar, sensibilizar e educar em todos os contextos sociais e etários, assim como se sugere o estímulo a cursos de capacitação para profissionais de saúde e integrantes das redes de atenção básica, objetivando um atendimento mais qualificado.
A presença de tais profissionais poderia possibilitar a sistematização de tarefas, evitando hospitalizações, asilamento e outras formas de segregação, que implica graves prejuízos para os idosos, que, além de conviver com aspectos inerentes à velhice, enfrenta as vicissitudes de ser portador do HIV/AIDS. Entretanto a desinformação sobre os riscos do HIV tem como conseqüência a vida sexual ativa sem proteção o que contraria o mito existente a alguns anos, de que idosos não praticam sexo (GALVÃO, 2001).
Contudo a prevenção tem se configurado como um problema para os programas de controle do HIV/AIDS desde o início da epidemia. Essa questão era decorrente da falta de conhecimento acerca da doença. Mesmo esse quadro tendo sofrido substanciais alterações, devido às descobertas feitas da ação do vírus e do progresso obtido no tratamento da doença com a terapia antiretroviral, as medidas preventivas desenvolvidas não são suficiente para diminuir os determinantes da vulnerabilidade ao HIV/AIDS.
Conforme preceitua Fonseca (2002) a crença inicial de que o HIV/AIDS estaria voltado apenas a determinados “grupos de risco” ainda continua sendo um obstáculo para a prevenção em diversos segmentos populacionais como os idosos, de forma que as atuais políticas de prevenção, em geral, estão voltadas de forma substancial para o público adolescente. Contudo, adultos e idosos também apresentam uma sexualidade ativa para serem simplesmente descartados das políticas de prevenção, cuja função é informar, sensibilizar e educar em todos os contextos sociais e etários. As políticas preventivas, segundo Deluiz (1995), estão geralmente voltadas para as populações consideradas de risco.
No entanto é preciso uma ação educativa por meio de campanhas mais acessíveis e adequadas às realidades locais em que os idosos estão inseridos, com o intuito de apresentarem uma maior efetividade nos seus resultados.
Em 2008, por exemplo, o Ministério da Saúde, lançou uma campanha, sobretudo voltado para homens e mulheres com idade superior a 50 anos, cujo tema era “Sexo não tem idade. Proteção também não”. Até o momento, de acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS) apresenta-se como a campanha de maior repercussão para os indivíduos com mais de 50 anos no Brasil, contribuindo para o aumento da visibilidade do tema e medidas preventivas.
Nesse sentido percebe-se que as estratégias de prevenção para o HIV/AIDS, devem considerar a necessidade de criação de espaços nos quais sejam possibilitadas discussões e reflexões, que facilitem o esclarecimento de crenças e percepções que ainda fazem parte do imaginário social, e que possam orientar envolvimentos afetivos, para não serem percebidos como relacionamentos imunes, sendo dispensado o uso de medidas preventivas.
Os grupos de convivência da terceira idade podem configurar-se como importantes lócus para o desenvolvimento destas estratégias, de forma que a inserção da temática AIDS nestes grupos pode possibilitar, aos seus participantes rever, de forma compartilhada, seus papéis e expectativas, visando o auxílio na prevenção ou na construção de uma convivência mais positiva com esta síndrome (FIGUEIREDO, 1994).
Dessa forma, o problema da prevenção é bem mais complexo do que escolher o público-alvo de uma campanha ou designar a forma de repassar a informação. Os agentes comunitários, e demais integrantes que atuam na atenção primária a saúde também apresentam representações permeadas por estigmas e preconceitos, sendo igualmente sugerido para estes o estímulo a cursos de capacitação e espaços de discussão sobre temas recorrentes nas suas atividades.
É importante ressaltar que com estas sugestões a profissionais e agentes não se está desestimulando a elaboração de estratégias voltadas para os idosos, mas se está sugerindo que se forem ampliadas as medidas visando à prevenção, resultados mais efetivos tendem surgir.
Por fim, além destas estratégias secundárias e da elaboração de políticas, propõe-se como medida preventiva, agora diretamente aos idosos, uma alternativa ao preservativo masculino, que, como já foi enumerado, carrega consigo certa resistência. Tal alternativa é o preservativo feminino, que de acordo com os estudos de Parker (2000) neutraliza os argumentos de perda da sensibilidade e receio de perder a ereção tão enfatizada pelos homens, apresentando a mesma eficácia no controle à transmissão das DSTs.
11.2 A REALIZAÇÃO DO TRATAMENTO
De acordo com o médico Infectologista Jean Carlo Gorinchteyn em uma entrevista na revista Prática Hospitalar (2005):
O tratamento de idosos com HIV/AIDS é, absolutamente, semelhante àquele instituído aos pacientes de outras faixas etárias, exceto a faixa etária pediátrica, onde algumas drogas não são utilizadas. A escolha da terapêutica anti-retroviral deverá considerar as condições clínicas, imunológicas e virológicas do paciente por ocasião do diagnóstico, assim como considerar a presença de co-morbidades, sejam estas oportunistas ou não, como diabetes, dislipidemias, hipertensão arterial, etc., visando, assim, reduzir os riscos de agravo de doenças preexistentes, além de obter de forma mais precoce a reconstituição imunológica.(Revista prática hospitalar, março/abril, 2005)
O que torna evidente um tratamento com atendimento pormenorizado, respeitando-se não só suas limitações físicas, como necessidades individuais, preocupando-se, inclusive, com suporte psicológico e social. A abordagem multidisciplinar é de fundamental importância, devendo-se ter retornos clínicos e exames laboratoriais periódicos, com intervalos mais curtos. A avaliação psicológica, da assistente social e nutricional é, igualmente, importante para detectar eventuais condições que comprometam o sucesso do tratamento instituído.
Muitos dos pacientes ao descobrirem que são portadores do vírus, já estão com o organismo debilitado, em conseqüência de distúrbios comuns ao processo de envelhecimento. A maioria fica sabendo da doença ao realizar algum exame solicitado pelo médico por causa de outro problema de saúde. E mesmo que pela descoberta de ser um soropositivo seja um fator de surpresa para a maioria dos idosos, muitos deles vêem a AIDS como uma doença a mais na vida.
12 O COMPORTAMENTO DO IDOSO APÓS DIAGNÓSTICO DA AIDS
O impacto da notícia do diagnóstico positivo, desperta reações e sentimentos desestruturantes, como angústia, medo, desorientação e culpa. A busca por tratamentos médicos e auto-cuidado tornam-se meios de enfrentamento. A necessidade de silenciar-se em relação à sorologia positiva se faz presente no intuito de afastar o preconceito e a discriminação. A AIDS e a condição de soropositivo para o HIV são incorporadas à vida destas pessoas de maneiras polarizadas: para uns é vista como mais um aspecto a ser vivenciado, não interferindo no modo de vida anterior ao diagnóstico, enquanto que para outros a soropositividade torna-se um incômodo constante e conviver com ela passa a requerer muito esforço. A despeito de mitos e crenças sobre a sexualidade do idoso, os resultados encontrados nos coloca frente a uma realidade que não pode ser ignorada, exigindo um novo dimensionamento para a concepção de futuros programas destinada à orientação e suporte a pessoas de terceira idade. (PROVINCIALI, Dissertação, 2006)
Conseqüentemente o idoso ao se deparar com a doença tende isolar-se dos familiares e amigos. Isso quando não escondem o diagnóstico da família, dos vizinhos e dos chefes. O que traz preocupação aos mais próximos já que o idoso entra em estado de depressão e geralmente culmina em morte súbita por falta de maiores cuidados. A necessidade de silenciar sobre o contágio por HIV se apresenta no intuito de afastar a discriminação (CAPODIECE, 2000).
As dificuldades apontadas pelos idosos no viver com HIV não se restringiram a limitações físicas, necessidade de acompanhamento clínico ou uso contínuo de medicamentos e suas eventuais conseqüências. Apontaram também para sentimentos de solidão, isolamento e receio de discriminação na família e no serviço de saúde.
Segundo Figueiredo (1994) a identificação de particularidades nos aspectos psicossociais do viver com HIV/AIDS na terceira idade pode ser útil para subsidiar políticas públicas de cuidado a essa população nos serviços especializados, além de permitir a inclusão de abordagens preventivas nas ações que integram a atenção à saúde do idoso.
Contudo a AIDS trouxe à tona, de maneira nova e assustadora, os fantasmas construídos no imaginário social sobre a sexualidade e a morte, o desfiguramento e o enfraquecimento físico, a vulnerabilidade e o risco visto na cara do outro. Assim, o estigma, a dor da própria enfermidade e a dor dos olhos dos outros, o medo da rejeição, principalmente no ambiente de trabalho, e o sofrimento causado pelo preconceito e pela possibilidade de ser discriminado passam a afetar, de forma contundente, os idosos com o HIV.
Sentimentos de ansiedade, perseguição e dúvida podem vir a constituir fontes estressoras no seu cotidiano. Vale ressaltar que após o impacto sofrido pelo diagnóstico de HIV segue a necessidade de reestruturação e manutenção da vida em seus vários papéis. ZAMLUTTI (1996) ressalta que:
[...] para alguns dos idosos com HIV, parece não ter havido mudanças drásticas no estilo de vida. A condição de soropositivo é incorporada como mais um aspecto a ser vivenciado, não interferindo no modo de vida anterior ao diagnóstico. Para outros, a AIDS desperta sentimentos vividos intensamente, acarretando grandes alterações, principalmente a nível emociona/psicológico, tornando-se um incômodo constante. Sentimentos ambivalentes de tristeza, desorientação e desânimo, por um lado e tranqüilidade, por outro, surgem como características do modo de encarar o dia a dia. E, neste sentido, conviver com a soropositividade passa a requerer muito esforço. (ZAMLUTTI, 1996, p. 25)
O convívio com HIV/AIDS tornar-se mais complexo quando não se pode mais negar a doença, pois os primeiros sintomas começam a aparecer e a pessoa torna-se mais debilitada, mais magra e com a saúde mais frágil. Os momentos angustiantes e depressivos são mais intensos do que os vividos no período assintomático da AIDS. Apesar de tudo, o desejo de viver e de aproveitar a vida prevalece, em alguns momentos, onde ainda são preservados, originando sentimentos de esperança.
Dessa forma, por não estarem articulados em grupos de auto-ajuda e nem dispor de ambulatórios especializados em lidar com a complexa experiência de envelhecer com AIDS, o idoso não tem com quem dividir inseguranças e abominam ser alvo de discriminação. O preconceito, em muitos casos, brota de dentro para fora e os impede de falar a verdade.
13 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por intermédio do estudo realizado observa-se que para minimizar a incidência da infecção do vírus HIV/AIDS nos idosos, faz necessária uma comoção por parte dos profissionais da saúde em se envolver e sensibilizar-se como agentes multiplicadores, pois eles têm acesso direto a uma porcentagem considerável da população idosa e, além disso, possuem um papel importantíssimo de ensinar através do desenvolvimento de valores, de idéias e conteúdos.
E antes de tudo vencer a desinformação, o preconceito e a discriminação que envolve o portador do vírus HIV/AIDS. Bem como fazer com que o idoso soropositivo ou não perceber a sexualidade como elemento presente no processo de educação e empreendimento que conduz a uma reconstrução dos valores éticos e morais dos seres humanos. Essa postura deve ser exercitada diariamente e não apenas um assunto aprendido. É fundamental incluir os idosos em programas de prevenção.
No entanto a presença da família é fundamental para que os idosos possam enfim vencer não somente o preconceito social e familiar, mas também o preconceito que muitos deles passam a ter de si mesmo, com receio de serem discriminados.
Através da pesquisa realizada, evidenciou-se a necessidade de um acompanhamento da equipe de profissionais da saúde juntamente com a família para a inserção dos mesmos à sociedade de forma que não se sintam denegridos pela afecção da doença e dessa forma possam viver seus dias sem preconceitos consigo mesmo.
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