Madame Bovary é com certeza um dos mais belos romances de lingua francesa, ou porque não dizer, um dos mais belos e elaborados romances escritos durante a história da humanidade.Escrito por Gustave Flaubert em?? a narração parte de uma experiência do escritor, médico de profissão, escritor por vocação que estando em Rouen, perto de Paris, toma conhecimento do suicídio de uma jovem senhora, que depois de ter levado o marido à ruina ingere arcênico e falece. Flaubert este durante oito anos pesquisando a vida desta senhora e como requer o romance realista, em posse de dados muito próximos da realidade escree o romance, que lhe custou um processo por ultraje à moral do qual se livrou alegando ter escrito o livro como forma de mostrar qual deve ser o fim de uma mulher adúltera. O livro narra a história de Ema Bovary, esposa do médico Charles Bovary, um homem fracassado e medíocre que desperta na mulher todos os sentimentos contrários aquilo a que havia idealizado durante a mocidade. Ema fora criada em um convento e por não apresentar sinais verdadeiros de que tivesse vocação para ser freira volta à casa do pai e ali vive uma vida pacata no campo, lendo os romances românticos idealizados de Walter Scott. Charles fora desde menino tímido e sem iniciativa, tendo um pai omisso fora sempre controlado pela mãe e acaba por tornar-se médico. A mãe então indica-lhe uma viúva de posses com quem o rapaz se casa e vive uma vida morna de sentimentos. Certa ocasião o pai de Ema quebra a perna e então Charles vai prestar atendimento ao pai da jovem, ocasião esta em que acabam se conhecendo.
Posteriormente as visitas à casa de Ema se intensificam em virtude da saúde seu pai. Logo Charles fica viúvo e daí ás núpcias é um curto intervalo de tempo.
Ao casar a moça sente que ascenderá socialmente, que viverá a vida dos salões, em contato com os nobres, mas logo entra num estado de profunda nostalgia ao perceber que o casamento constitui de uma vida monótona, cercada aos afazeres do lar.
O casal então decide mudar-se para Roeun e quando isto ocorre Ema está grávida de Berthe. Instalando-se na nova cidade, Charles de certa forma ameaça com sua presença o farmacêutico Romais que executa as funções de médico no local. Surge entre as duas famílias um clima de inveja, que não se deixa transparecer totalmente. Ema conhece Leon , um jovem com quem trava amizade e um amor platônico, no entanto logo o rapaz se dirige a Paris para estudar Direito o que desencadeia na Senhora Bovary uma incrível sensação de solidão que é superada pelo aparecimento de Rodolfo, fidalgo decaído que vive de aparências com quem Ema vive um intenso caso de amor e com quem planeja fugir, no entanto na data marcada, Rodolfo lhe envia um bilhete alegando que não iria levá-la para o seu próprio bem, a jovem Senhora então entra em crise de depressão profunda, tempo em que se recolhe a religiosidade e se dedica ao marido.
Com a volta de Leon de Paris, Ema novamente se lança às suas aventuras amorosas e perde todos os limites do bom senso, envolvendo-se cada vez mais em dívidas, assina muitas notas notas promissórias, dominada pelo consumismo e pela personalidade ansiosa que a conduz finalmente ao fundo do poço. Sem saída para as dívidas e tendo perdido mais uma vez o amante, ela resolve tomar arcênico, depois de um perído agonizante ela falece. Charles não suporta a ausência da esposa e acaba morrendo de ataque cardíaco fulminante, na condição mais degradante que um ser humano é capaz de alcançar. Berthe depois da morte da tia com quem ficara depois da morte dos pais, vai trabalhar em uma tecelegem como operária e assim se dá o desfecho da trágica história da Senhora Bovary.
A história tem como cenário a cidade de Verona. Duas famílias poderosas são inimigas mortais: a família Montecchio e a família Capuleto. Vivem em constantes conflitos, os quais perturbam a ordem e a paz da cidade. Tais acontecimentos provocam a ira do Príncipe que determina severa punição aos envolvidos nos conflitos: caso as brigas e provocações não cessassem, seriam punidos com a morte. Romeu, um jovem Montecchio passional e destemido, sofre de amor por Rosalina. Tem como melhores amigos e companheiros Benvólio e Mercúcio. É convidado por estes, no intuito de fazê-lo esquecer Rosalina, a ir ao baile de máscaras dos Capuleto. Romeu encanta-se por uma jovem e bela moça, que descobre ser Julieta Capuleto, que corresponde ao encantamento. Mais tarde, Romeu invade o jardim da casa de Julieta e, escondido, ouve Julieta declarar seus sentimentos por ele. Decide revelar sua presença e após trocarem juras de amor, marcam o casamento para o dia seguinte. Romeu vai à cela de Frei Lourenço e convence-o a realizar a cerimônia secreta. Com a ajuda da Ama de Julieta, a cerimônia é realizada. Após a cerimônia, Romeu presencia um duelo entre seus amigos e Teobaldo, um Capuleto, primo de Julieta. Mesmo desafiado Romeu nega-se a lutar, mas Teobaldo mata Mercúcio e Romeu, tomado pela cólera, mata Teobaldo. O Príncipe abranda a punição e permite que Romeu viva, mas resolve bani-lo da cidade para sempre. Romeu refugia-se na cela do Frei Lourenço. Julieta, prometida ao Conde Páris, recebe a notícia dos acontecimentos e mantém-se apaixonada por seu marido. Manda a Ama procurá-lo e entregar-lhe um anel como prova de seus sentimentos. Pede que Romeu vá ao seu quarto durante a noite. Romeu e Julieta passam a noite juntos. A Ama, apesar de ajudá-los tenta convencer Julieta de que Romeu não serve para ela. Julieta zanga-se com a Ama. Romeu parte para Mântua logo pela manhã, após o canto da Cotovia, que simboliza o amanhecer. Enquanto isso, os pais de Julieta resolvem casá-la com o Conde Páris. Desesperada Julieta pede ajuda ao Frei que a aconselha a aceitar o casamento para despistar seus pais. Dá a ela um frasco de elixir para simular sua morte e montam um plano: Julieta deveria tomar o conteúdo do frasco, sua família acreditaria em sua morte, o casamento com o Conde não se realizaria e o Frei, através de uma carta explicativa, mandaria Romeu voltar para que ficassem juntos. Porém a carta se extravia e Romeu recebe a notícia da morte da amada. Compra um veneno e desesperado decide morrer também. Volta à cidade e defronta-se com o Conde no mausoléu onde está Julieta. Travam duelo e Romeu assassina-o. Toma o veneno diante do corpo de Julieta e morre abraçado a ela. Frei Lourenço chega para tentar impedi-lo, mas é tarde, foge para não ser desmascarado e punido, porém antes acorda Julieta, que horrorizada decide ficar junto de seu grande amor. Julieta beija Romeu para tentar absorver o veneno de seus lábios e morrer também, mas sua tentativa é frustrada. Apanha a adaga de Romeu e apunhala-se, morrendo junto de seu marido. As famílias, após descobrirem os sacrifícios dos jovens, perdoam-se mutuamente e juram manter a paz em nome do amor de seus filhos.
Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, membros de família rivais da cidade de Viseu,em Portugal.apaixona-se "perdidamente " ,no entanto, logo percebem à impossibilidade da realização desse amor por meio do casamento, pois suas famílias eram declaradamente inimigas. Não tarda muito para os jovens amantes sentirem todo o ódio de seus pais. Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, ao descobrir o romance, trata de prometer a mão de sua filha a seu sobrinho Baltasar Coutinho. No entanto, a moça rejeita o pretendente fato que irrita profundamente o pai.Surge, nesse momento, o segundo grande elemento complicador. Desprezado e ofendido em seus brios Baltasar alia-se ao tio e juntos tramam o destino da pobre Teresa. Decididos, procuram persuadi-la a esquecer Simão, sob pena de a encerrarem em um convento. Teresa, temendo a ira de seu pai diante do rompimento causado por sua desobediência, aceita passivamente seu destino, prometendo afastar-se de Simão. No entanto, da repulsa ao casamento imposto por seu pai, ela continua irredutível. A moça não aceitava um casamento contrário às regras de seu coração. Na casa dos Botelhos, concomitantemente a esse fato, o pai de Simão, muito irritado com aquela desdita paixão resolve por fim ao romance entre seu filho e Teresa, enviando o jovem Simão a Coimbra para concluir seus estudos, almejava com isso sufocar o amor dos jovens pela distância.
Porém, nem mesmo esse empecilho foi capaz de destruir esse infortúnio sentimento. Teresa mesmo confinada em sua casa escrevia a Simão, contando os dissabores por que passava e haveria de passar, sob as pressões de seu primo e de seu pai. Contudo, mesmo diante dessas adversidades, os amantes clandestinamente se comunicavam por cartas com certa freqüência. Comunicação essa, que mais o amor dos dois. Simão, enlouquecido pela saudade de sua amada, decide ir a Viseu encontrar-se com Teresa. Furtivamente, é hospedado pelo ferreiro João da Cruz, homem destemido, forte e fiel. Sob proteção de João, Simão tenta chegar à casa de Teresa, mas lá estava Baltasar comemorando o aniversário da prima. O astuto Baltasar consegue perceber a ansiedade de Teresa e deduz o que estava para acontecer. No meio da festa a jovem tenta falar com Simão no jardim, contudo o casal é surpreendido, arma-se uma confusão que culmina com as mortes de dois criados de Baltasar.Desse entrevero Simão sai ferido.O rapaz busca refúgio na casa de João da Cruz para recuperar-se dos ferimentos.Entretanto, ainda não estava determinado o fim desse romance. Os amantes ainda mantinham comunicação por meio de uma velha mendiga que passava com freqüência sob a janela do quarto de Teresa. Para punir a rebeldia da filha, Tadeu de Albuquerque decide mandá-la a um convento do porto -chamado Monchique - cuja prioresa era patente de Teresa. Antes, porém, a jovem é recolhida em um convento na própria cidade de Viseu, enquanto Tadeu aguardava a resposta do Porto. Em Viseu, na casa do ferreiro, Mariana, filha de João da Cruz, torna-se a enfermeira de Simão, tratando-o com muito cuidado. Nasce nela um profundo amor pelo enfermo. Amor esse não revelado pela moça.
Mariana, sabedora que Simão e Teresa não estavam conseguindo manter a comunicação, visto que Teresa estava sob rigorosa vigilância, resolve ajudar os amantes. Mariana vai até o convento com a desculpa de visitar uma amiga. Sua ação é bem sucedida, a filha de João da Cruz consegue falar com Teresa e essa manda um recado a Simão. Nele a jovem fala de sua impossibilidade de escrever a Simão e que ela iria para um convento na cidade do Porto. Simão ao tomar conhecimento dos fatos, fica furioso e, em um acesso incontido de raiva, decide tentar raptar Teresa de seu fatídico fim no convento. O jovem defronta-se com Baltasar, na tentativa de resgatar a amada. Mesmo diante de várias testemunhas o jovem Simão atinge Baltasar com um tiro mortal. Em meio à confusão surge João da Cruz que procura dar cobertura a fuga de Simão, contudo esse recusa-se a fugir entregando-se a prisão. Simão é preso e condenado a morte. Porém, devido à interferência do corregedor Domingos Botelho, pai de Simão, a pena é convertida ao degredo nas Índias. Em meio a tanta tragédia, Simão ainda preso no Porto, toma conhecimento que seu fiel amigo João da Cruz havia sido assassinado. Mariana, sem ter mais ninguém, resolve acompanhar Simão ao desterro. Essa situação aflora, no coração da jovem Mariana, a esperança de concretizar o seu amor por Simão. A sentença do desterro sai, Simão é condenado a ficar dez anos na Índia. Enquanto para Mariana o degredo é sinônimo de esperança, para Simão, a Índia é sinônimo de humilhação e miséria. Teresa começa a ter sua saúde abalada. Definha, cada vez mais triste e muito magoada, a linda fidalga parece ter perdido a vontade de viver. Seu fim aproxima-se, recusa-se a evitá-lo.Ao em arcar rumo à Índia, Simão contempla Monchique e vê, pela última vez no mirante do convento, a mulher que fora responsável por tudo aquilo.Também Teresa contempla o navio que levava seu amado. Logo após, Teresa morre. Simão, antes de seguir seu destino, toma conhecimento da morte de Teresa e, profundamente consternado e deprimido, segue rumo ao degredo.
Ainda, muito consternado ele guarda algumas cartas de Teresa, seu corpo vai sendo consumido pela morte. Alguns dias após a viagem, Simão morre vitimado pela febre. Mariana não resistindo à perda do amado, rompe o silêncio com gritos que saem do mais fundo do seu coração. Quando percebe que seria impossível viver sem a presença de Simão, a filha do ferreiro entrega-se às revoltas águas do mar, as quais já haviam recebido o corpo de Simão.O suicídio de Mariana marca o fim da trágica história dos Botelhos e Albuquerque.
Desejo compartilhar, através destas linhas despretensiosas, algumas idéias e conceitos desenvolvidos neste livro, com as pessoas que aqui aportarem. Esta leitura me levou a profundas reflexões e à revisão de alguns paradigmas, que são o pano de fundo do modo de viver de muitas criaturas, não só em relação às suas atitudes profissionais como também à sua vida pessoal. Talvez consiga oferecer informações aos meus leitores, que ainda não conhecem o livro, para que possam decidir se querem ou não fazer esta fascinante reflexão, lendo O Monge e o Executivo!O autor montou com muita habilidade uma história em que, com o auxílio de interessantes personagens, de forma dinâmica e vibrante, nos ensina conceitos de liderança surpreendentes. Ele nos conta a trajetória de John Daily, um executivo bem sucedido, que se viu, em determinado momento de sua vida, com problemas sérios na sua profissão, na sua família e até mesmo no time de beisebol que treinava. Embora a contragosto, vai conversar com o pastor de sua igreja, a pedido de sua esposa. Para sua surpresa, é orientado a participar de um retiro num mosteiro Beneditino e só aceitou a sugestão, porque descobriu que lá se encontrava como frade, um lendário executivo, famoso por transformar empresas à beira da falência em negócios bem sucedidos: Len Hoffman. Assim, chega John ao mosteiro com todos os seus conflitos e com toda a sua arrogância! Ele e mais cinco participantes iniciam o aprendizado. Só tinha em comum a questão da liderança. Teve o privilégio de fazer o curso com Simeão, novo nome dado a Leonard Hoffman. Colocaram-se em discussão muitas idéias e conceitos sobre liderança. Apesar, a princípio, de parecer um discurso religioso, pode-se notar que o assunto abordado tem caráter universalista e remete o leitor a reflexões emocionantes sobre o seu comportamento profissional, na família e no seio das comunidades onde transita, possibilitando muitas vezes o entendimento dos sucessos e fracassos na sua trajetória. Alguns destes conceitos são a base para o entendimento do modelo de liderança proposto. Simeão fala, por exemplo, da diferença entre autoridade e poder, esclarecendo que autoridade é a habilidade de influenciar as pessoas no sentido de fazerem prazerosamente o que você quer que elas façam e poder é simplesmente coação no mesmo sentido independentemente da vontade delas. Estabelece também diferença entre gerenciar e liderar, explicando que se gerencia coisas e se lidera pessoas. Fala sobre velhos paradigmas, onde o presidente ou o patrão está no topo e os subordinados, todos com atenção voltada para lá, estão muito mais preocupados em agradar o chefe do que em atender às necessidades dos clientes. O seminário atinge o ponto alto quando Simeão, para espanto geral, fala do amor que todo líder precisa ter por seus liderados. Ele conceitua aí o amor de uma forma que quebra todas as resistências. Diz que o grego antigo tem vários termos para exprimir a idéia de amor: EROS está mais relacionado á sensualidade; STORGÉ, que é afeição; PHILOS, fraternidade, uma espécie de amor condicional e finalmente AGAPÉ ou o verbo AGAPAÓ, que é o amor incondicional, baseado em escolha, em comportamento e atitude. Quando Jesus nos pede para amar nossos inimigos, o verbo utilizado nos originais gregos é AGAPAÓ. Ensina, então, o mestre Simeão que o amor verdadeiro não está necessariamente assentado no sentimento, mas na vontade. Em seguida ele fala a seus alunos sobre a epístola de São Paulo aos coríntios que descreve as características do amor. Os alunos ficam surpresos ao verificarem que as qualificações do amor resulta numa lista muito semelhante a outra que foram solicitados a fazer sobre as qualidades do líder.No final todos haviam entendido que a liderança , segundo a visão revolucionária deste brilhante mestre, deve ser exercida com autoridade, conquistada com muita dedicação e sacrifício mesmo. O amor, segundo o conceito explanado por Simeão, deve ser o sustentáculo
O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, mostra a sociedade portuguesa daquela época (início do século XVI), e, mais do que isso, faz uma crítica social em relação aos costumes dessa sociedade. Com uma divisão clara das personagens por meio de suas classes e credos, o Auto é, basicamente, um julgamento final dessas pessoas e sua conseqüente condenação ou absolvição. A história inicia-se num porto no qual há duas barcas, uma cujo destino é o Inferno, e a outra o Paraíso. Várias personagens chegam a esse lugar, começando pelo fidalgo, que por sua tirania, orgulho e soberba, é condenado; segue-se então um onzeneiro que é condenado também por sua ganância; a seguir vem o parvo, que é absolvido, por não ter havido malícia em seus atos passados; vários então vieram e foram condenados: o sapateiro, que se aproveitou de seus clientes, roubando assim seu dinheiro; o frade, que, mesmo sendo um frade, desrespeitou seu voto de castidade; a alcoviteira, com seus pecados vários; o judeu, por não ser cristão; o corregedor e o procurador, que não fizeram o que se comprometeram a fazer: justiça; o enforcado, que, por não ter fé, é condenado; e, por fim, os Quatro Cavaleiros, que morreram por Jesus Cristo (lutaram nas cruzadas), e foram absolvidos. É um Auto da moralidade, no qual o autor expõe sua visão do que é ou não imoral. Com um toque cômico bem acentuado, mostra todos os “defeitos” da sociedade, desde o fidalgo, com toda sua soberba, ou o onzeneiro, com sua ganância, até a alcoviteira, também conhecida como cafetã. Nota-se também certa dualidade entre as personagens, dividindo-se entre os nobres e os do povo; no povo percebe-se uma fé mais pura, menos ambiciosa, já nos nobres vê-se que olham a religiosidade apenas como uma moeda, como algo que podem trocar pelo seu cantinho no céu, e quando chegam ao juízo final, se deparam com o verdadeiro peso de seus pecados. Nessa obra pode parecer que se julga apenas pela pessoa em si, por seu caráter, independentemente de sua classe social ou qualquer outra coisa, como quando o fidalgo é condenado, mesmo tendo uma alta posição na sociedade, por causa de seus pecados (tirania, orgulho, soberba...), ou quando a batina do frade em nada ajuda, pois o peso de seus pecados é maior; porém, por trás dessa máscara de justiça, há os próprios preconceitos do autor, que estrutura sua obra de tal maneira, nomeando a maioria das personagens de acordo com sua classe social ou profissão, que simplesmente generaliza, e leva todos os fidalgos, ou todos os frades, à fogueira. Além disso, condena também um judeu apenas por sua religião não ser o Cristianismo, mostrando assim que ele também devia entrar nesse porto para ser julgado, e, com certeza, de acordo com as regras estabelecidas em sua obra, seria condenado.
Na Paris do século XV, um menino deformado é abandonado na catedral de Notrew Dame. O arcediago, Frollo, homem mau, possuidor de um falso moralismo, resolve adotá-lo. O menino, chamado Quasímodo, cresce escondido na catedral, tornando-se o seu sineiro. Opondo-se à deformação física, o rapaz possui uma alma sensível à beleza. Sente ímpetos de sais para conhecer o mundo. Entretanto, o seu “pai adotivo”, faz dele o seu escravo, alegando a bondade que tivera em criá-lo, já que, nem mesmo sua mãe o quisera. Quasímodo cresce sendo comparado a um monstro horrendo, como se não se fosse humano e contenta-se em olhar a vida do alto da torre de Notre Dame. Porém, em uma das festividades em torno da catedral, o rapaz vê Esmeralda, uma belíssima mulher, sendo presa de forma violenta, acusada de cometer um crime. Então, pela primeira vez em sua vida, Quasímodo, fascinado pela jovem, resolve sair de Notre Dame, ganhando a rua, com intenção de protegê-la. Ao andar pelas ruas de Paris, Quasímodo deixa o povo horrorizado com a sua aparência hedionda, o que os faz tratá-lo de forma agressiva. Quasímodo resgata Esmeralda e esta fica maravilhada com a doçura e com a bondade do corcunda. Todavia, a pobre moça, marginalizada por ser cigana, é novamente presa e, desta vez, torturada por Frollo, que a deseja secretamente. Não sendo capaz de vencer o próprio desejo, ele a maltrata, acreditando que a moça seja uma representante do demônio. É então que Quasímodo consegue um aliado. Trata-se de um nobre cavalheiro que chega à Paris e se apaixona por Esmeralda, passando a lutar por ela, contra Frollo. Todas essas experiências fazem com que Quasímodo faça a maior descoberta de sua vida. Ao perceber a alma horrenda de Frollo, ele passa a entender quão enganosas podem ser as aparências.
O que mais impressiona é a habilidade com que de Hosseini (autor), vê e manuseia os atos de perversidade, originários de uma guerra que, principalmente se utiliza da religiosidade para justificar a incessante e injustificada prática da crueldade - em todas as direções.
Fica claro nessa guerra (Afeganistão) tudo o que o ser humano é capaz,na defesa de sua própria sobrevivência, e os que são perpetrados por governos e instituições na tentativa de eliminar os vestígios de seus atos criminosos. Essa transparência reflete-se, sobretudo, na relação entre o protagonista, Amir e seu melhor (?) amigo Hassan: Amir testemunha as violências sofridas por Hassan (inclusive sexual), mas prefere esconder-se à ir em sua defesa. Para aplacar a culpa de sua covardia, arma, ele mesmo, uma cilada capaz de distanciar o companheiro de suas vistas, crendo que com ela apaziguaria sua consciência. Puro engano. Viveu o inferno e os pesadelos da culpa.
É uma história que, de alguma maneira, desperta e conturba nossa compreensão.Quem, nesse mundo insano, carente de diretrizes morais, ja não cometeu os escorregões da injustiça, ciente ou involuntariamente; numa tentativa equivocada de defender a "própria pele" ou, apenas por capricho e teimosia? Ao contar sua história, pobre Amir, mais que ensinamentos morais, intentou um lenitivo para sua consciência atormentada. Será que conseguiu?